Convivialidade e sistemas alimentares: rumo a uma política de criação mútua
Palavras-chave:
convivialidade, paisagens alimentares, sustentabilidade, ecologia políticaResumo
Diante da crise climática e da disfuncionalidade dos sistemas alimentares atuais, o conceito tradicional de sustentabilidade parece esgotado. Este ensaio propõe reativar esse conceito por meio da convivialidade, entendida não apenas como comensalidade, mas como uma ética política de "criação mútua" e simbiose entre humanos e não humanos. O objetivo é configurar a noção de paisagens alimentares conviviais como ferramenta de transformação ecológica e cultural. A metodologia combina revisão teórica — baseada em Ivan Illich e na virada ontológica — com a análise de casos em três âmbitos: ferramentas urbanas de inclusão (cozinhas móveis e tecnologia agrícola), patrimônio biocultural (iniciativas indígenas e gastronomia multiespécie) e arte ambiental. Os resultados demonstram que a convivialidade permite superar a visão tecnocrática, integrando dimensões afetivas e materiais que reconhecem a interdependência da vida. Conclui-se que as paisagens alimentares conviviais funcionam como plataformas intersetoriais capazes de gerar novas formas de conhecimento e cooperação, reorientando a política alimentar para a justiça social e a regeneração ecossistêmica.Downloads
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