Memento Mori: reflexões sobre hospitalidade e acolhimento no discurso de prestadores de serviços funerários

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29147/revhosp.v22.1260

Palavras-chave:

hospitalidade, análise de discurso, acolhimento, serviços funerários

Resumo

Este estudo investiga a relação entre morte, luto e hospitalidade, sendo esta última abordada como prática sociocultural que envolve acolhimento, diferenças, temporalidade e troca. A pesquisa buscou compreender como empresas funerárias, localizadas no estado de Pernambuco, articulam os aspectos comerciais e domésticos da hospitalidade no atendimento a enlutados. Sob a orientação do dispositivo teórico analítico da Análise de Discurso Pecheutiana, foram realizadas entrevistas com gestores de duas organizações do setor funerário que, tomadas como materialidades discursivas, permitiram a problematização dos efeitos de sentido mobilizados acerca de como o papel do prestador de serviços do referido setor se relaciona com o campo da hospitalidade. Os resultados indicam que os discursos oscilam entre a dimensão mercadológica, centrada em serviços e diferenciais competitivos, e a dimensão relacional, pautada pelo acolhimento e apoio emocional, demonstrando assim, como o interdiscurso atua como um espaço virtual que, a despeito da tomada de consciência do sujeito, influencia diretamente a elaboração dos sentidos dos discursos. Tais reflexões permitiram concluir que a hospitalidade no setor funerário se configura como espaço de tensões entre a mercantilização da morte e a necessidade de sensibilidade no trato com os enlutados, apontando a relevância do tema para os estudos em hospitalidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Amanda Maria Magalhães de Almeida, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Tecnóloga em Gestão de Turismo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) e Bacharel em Hotelaria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Mateus Vitor Tadioto, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutor e Mestre em Turismo e Hospitalidade pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Graduado em Tecnologia em Gestão de Turismo pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Docente do Departamento de Hotelaria e Turismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Isabela Andrade de Lima Morais, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutora e Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduada em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Docente do Curso de Turismo e do Programa de Pós-graduação em Hotelaria e Turismo, do Departamento de Hotelaria e Turismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Referências

Ariès, P. (2012). História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias [Ed. especial]. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Bourdieu, P. (1996) Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus Editora.

Camargo, L. O. de L. (2004) Hospitalidade. São Paulo: Aleph.

Camargo, L. O. de L. (2015). Os interstícios da hospitalidade. Revista Hospitalidade, 12(3), 42–69. https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/574.

Cappellano dos Santos, M. M., & Perazzolo, O. A. (2012). Hospitalidade numa Perspectiva Coletiva: O corpo coletivo Carvalho,acolhedor. Revista Brasileira De Pesquisa Em Turismo, 6(1), 3–15. https://doi.org/10.7784/rbtur.v6i1.484. DOI: https://doi.org/10.7784/rbtur.v6i1.484

Caputo, R. F. (2008) O homem e suas representações sobre a morte e o morrer: um percurso histórico. Rev. Multidisciplinar da Uniesp, [S.I], 6, 73-80. https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20180403124306.pdf

Carvalho, A. N. de. (2015). Hospitalidade doméstica e comercial: desdobramentos e apropriações em fazendas históricas rurais. Revista Turismo - Visão e Ação, 17(3), https://periodicos.univali.br/index.php/rtva/article/view/8321 DOI: https://doi.org/10.14210/rtva.v17n3.p569-600

Cavalcanti, A. K. S., Samczuk, M. L. & Bonfim, T. E. (2013). O conceito psicanalítico do luto: Uma perspectiva a partir de Freud e Klein. Psicólogo informação, 17(17), 87-105. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-88092013000200007&lng=pt&tlng=pt. DOI: https://doi.org/10.15603/2176-0969/pi.v17n17p87-105

Diário do Turismo (2024) Anjos da hospitalidade nasce buscando o nicho de eventos fúnebres. https://diariodoturismo.com.br/anjos-da-hospitalidade-nasce-buscando-o-nicho-de-eventos-funebres.

Elias, N. (2001). A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Ferro, R. C., & Bastos, S. R. (2024). Hospitalidade: Conceitos fundamentais e relevância para os estudos do turismo. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 18, 2958. https://doi.org/10.7784/rbtur.v18.2958 DOI: https://doi.org/10.7784/rbtur.v18.2958

Foucault, M. (1979). Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal.

Freud, S. (1916). Sobre a transitoriedade. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. XIV, p. 317.

Gotman, A. (2009). O comércio da hospitalidade é possível? (L. O. L. Camargo, Trad.). Revista Hospitalidade, 6(2), 3–27. https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/311/299.

Kotler, P.; Armstrong, G. (2003). Princípios de marketing. São Paulo: Prentice Hall.

Lashley, C. (2015). Hospitalidade e hospitabilidade. Revista Hospitalidade, 12(Edição especial), 70–92. https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/566.

Lashley, C. (2004). Para um entendimento teórico. In C. Lashley & A. Morrison (Orgs.), Em busca da hospitalidade: Perspectivas de um mundo globalizado (pp. 2–24).São Paulo: Manole.

Mauss, M. (2003). Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify.

Menezes, R. A. (2004). Em busca da boa morte: Antropologia dos cuidados paliativos. Rio de Janeiro: Garamond: Fiocruz. DOI: https://doi.org/10.7476/9786557081129

Mitford, J. (2000). The American way of death. Revisited. New York: Vintage Books.

Montandon, A. (2002). Hospitalidade, ontem e hoje. In C. M. de M. Dias (Org.), Hospitalidade: Reflexões e perspectivas (pp. 172–196). São Paulo: Manole.

Morais, I. A. de L. (2010). Pela hora da morte: um estudo sobre o empresariar da morte e do morrer, uma etnografia no Grupo Parque das Flores, em Alagoas (Tese de doutorado). Programa de Pós-graduação em Antropologia, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.

Orlandi, E. P. (2012). Análise de discurso: Princípios & procedimentos. São Paulo: Pontes.

Pêcheux, M. (2016). Abertura do colóquio. In B. Conein (Org.) et al., Materialidades discursivas (pp. 23–32). Campinas: Unicamp.

Pêcheux, M. (2014a). Semântica e discurso: Uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: Unicamp.

Pêcheux, M. (2014b). Só há causa daquilo que falha ou o inverno político francês: Início de uma retificação. In M. Pêcheux, Semântica e discurso: Uma crítica à afirmação do óbvio (pp. 269–282). Campinas: Unicamp.

Quadros, A. H. de. (2011). A hospitalidade e o diferencial competitivo das empresas prestadoras de serviço. Revista Hospitalidade, 8(1), 43–57. https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/346.

Reis, J. J. (1991). A morte é uma festa: Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras.

Rocha, K, L. (2021). A personalização de produtos e serviços para o novo perfil de consumidor. Revista de Tecnologia Aplicada, 10(1), 40-49. http://dx.doi.org/10.48005/2237-3713rta2021v10n1p4049. DOI: https://doi.org/10.48005/2237-3713rta2021v10n1p4049

Schneiders, C. M. (2012). A prática científica e a sua constituição pelo atravessamento de saberes. Revista Estudos Linguísticos, 41(1), 307–315. https://revistas.gel.org.br/estudos-linguisticos/article/view/1234/787.

Spolon, A. P. G. (2015). Hospitalidade em rede: propriedades estruturais e arranjos relacionais da rede de produção de conhecimento científico em Hospitalidade, no Brasil (1990-2014) [Tese de Pós-Doutoramento, Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP)], Brasil.

Tadioto, M. V., Campos, L. J. de ., & Vianna, S. L. G.. (2022). Epistemologia do Turismo: um estudo sobre as correntes teóricas predominantes nas publicações em Turismo IberoAmericanas. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 16, e2361. https://doi.org/10.7784/rbtur.v16.2361. DOI: https://doi.org/10.7784/rbtur.v16.2361

Thomas, L.-V. (1991). La muerte. Una lectura cultural. Paris: Press Universitaires de France; Buenos Aires: Paidós.

Downloads

Publicado

2025-12-27

Como Citar

Almeida, A. M. M. de, Tadioto, M. V., & Morais, I. A. de L. (2025). Memento Mori: reflexões sobre hospitalidade e acolhimento no discurso de prestadores de serviços funerários. Revista Hospitalidade, 22, 1260. https://doi.org/10.29147/revhosp.v22.1260

Edição

Seção

Artigos