Revista Hospitalidade, Ano V, nmero 2, segundo semestre de 2008

COMO VOC RECEBE ALGUM NA SUA CASA?: NOTAS SOBRE A OFICINA DE HOSPITALIDADE COM OS FUNCIONRIOS TERCEIRIZADOS DA FUNDAO CASA DE RUI BARBOSA RJ

 

HOW DO YOU WELCOME SOMEONE IN YOUR HOME?: NOTES ABOUT THE HOSPITALITY WORKSHOP WITH THE OUTSOURCED EMPLOYEES OF THE FUNDAO CASA DE RUI BARBOSA RJ

 

"COMO USTED RECIBE ALGUIEN EN SU CASA?": NOTAS SOBRE LA OFICINA DE HOSPITALIDAD CON LOS FUNCIONARIOS TERCERIZADOS DE LA FUNDAO CASA DE RUI BARBOSA RJ

Rmulo Duarte[1]

Renata Garanito de Abreu[2]

Joo Alcantara de Freitas[3]

 

Resumo: A Fundao Casa de Rui Barbosa (FCRB) selecionou no ano de 2014 seis bolsistas graduados em turismo com o objetivo de melhorar sua relao com os visitantes. Dentre as aes realizadas pelo grupo, o presente artigo se debrua sobre a realizao de uma oficina de hospitalidade junto aos funcionrios terceirizados que atuam na FCRB. A direo do Museu Casa de Rui Barbosa (MCRB) notara que a maior parte dos vigilantes, recepcionistas, jardineiros e funcionrios da limpeza nunca havia entrado no museu, seno para as suas obrigaes laborais. O presente artigo discute o processo de construo da Oficina de Hospitalidade realizada com os funcionrios desde a sua concepo at os desdobramentos. Houve uma boa receptividade por parte dos funcionrios, no entanto h ainda alguns desafios a serem superados.

 

Palavras-chave: Museu Casa de Rui Barbosa; Hospitalidade; Oficina; Terceirizao; Turismo.

 

Abstract: The Rui Barbosas House Foundation (FCRB) offered in 2014 six scholarship for graduates in tourism with the aim of improving its relationship with visitors. Among the actions carried out by the group, the present article focuses on the realization of a hospitality workshop with the outsourced employees who work at the FCRB. The direction of the House Museum of Rui Barbosa (MCRB) had noticed that most of the guards, receptionists, gardeners and cleaners had never entered the museum, except for their work obligations. The present article discusses the process of construction of the Hospitality Workshop carried out with the employees from its conception to the unfolding. There was a good reception on the part of the employees, however there are still some challenges to be overcome.

 

Key-words: House Museum of Rui Barbosa; Hospitality; Workshop; Outsourced employment; Tourism.

 

Resumen: La Fundacin Casa de Rui Barbosa (FCRB) seleccion en el ao 2014 seis becarios graduados en turismo con el objetivo de mejorar su relacin con los visitantes. Entre las acciones realizadas por el grupo, el presente artculo se centra en la realizacin de un taller de hospitalidad junto a los empleados tercerizados que actan en la FCRB. La direccin del Museo Casa de Rui Barbosa (MCRB) not que la mayor parte de los vigilantes, recepcionistas, jardineros y empleados de la limpieza nunca haba entrado en el museo, sino para sus obligaciones laborales. El presente artculo discute el proceso de construccin del Taller de Hospitalidad realizada con los funcionarios desde su concepcin hasta los desdoblamientos. Ha habido uma buena receptividad por parte de los empleados, pero todava hay algunos desafos a ser superados.

 

Palabras clave: Museo Casa de Rui Barbosa; la hospitalidad; taller; externalizacin; Turismo.

 

 

INTRODUO

Em agosto de 2015, o grupo de bolsistas pesquisadores vinculados ao Museu Casa de Rui Barbosa (MCRB) por meio do projeto Museu Casa de Rui Barbosa: estabelecendo relaes com os turistas nacionais e internacionais realizou diversas aes no intuito de prover uma melhor experincia ao visitante do museu, bem como a qualificao do espao.

O referido projeto parte integrante do Programa de Incentivo Produo do Conhecimento Tcnico e Cientfico na rea de Cultura, vinculado ao Centro de Memria e Informao da Fundao Casa de Rui Barbosa (FCRB). Reiterando sua condio de patrimnio cultural e atrativo turstico, o museu demandou para este projeto profissionais com graduao completa em turismo. Tal escolha se fez fundamental, na medida em que seu propsito central o de consolidar o museu no cenrio turstico da cidade do Rio de Janeiro.

Sendo assim, alm da produo cientfica pertinente ao projeto, o grupo tambm desenvolveu outras atividades tendo em vista a melhoria da experincia do visitante no museu. Tais atividades contemplaram a elaborao de novos roteiros para a casa e o jardim, a realizao de visitas mediadas, o planejamento e aplicao de pesquisas de pblico e satisfao, organizao e operacionalizao de eventos para o pblico em geral e acadmicos, e finalmente a elaborao e a execuo de oficinas, cuja primeira edio teve como tema principal a hospitalidade e foi direcionada para os funcionrios terceirizados da FCRB.

O presente artigo tem como objetivo registrar como foi o desenvolvimento da Oficina de Hospitalidade junto aos funcionrios terceirizados da FCRB, pontuando os desafios e sua relevncia enquanto um desdobramento de uma bolsa de pesquisa de aperfeioamento profissional.

Aps esta breve introduo, ser registrada a metodologia utilizada para a construo do presente artigo. De modo a balizar o leitor na histria da instituio, ser apresentada uma contextualizao histrica do Museu Casa de Rui Barbosa, desde sua criao em 1927, passando pela instaurao da Fundao Casa de Rui Barbosa e sua consolidao como centro de referncia em histria, cultura e memria. Em seguida, os fatores que levaram realizao da oficina so indicados para que o leitor entenda a necessidade da sua criao e execuo. A seo seguinte registra como foi a escolha dos contedos e os objetivos estabelecidos para a atividade. Por fim, registra-se a conduo da oficina e as impresses dos mediadores envolvidos.

 

METODOLOGIA

O presente artigo tem como objetivo promover uma reflexo acerca da Oficina de Hospitalidade realizada com os funcionrios terceirizados da FCRB. Ser debatido aqui todo o processo, desde a escolha dos contedos que seriam abordados durante a oficina, a visita mediada ao museu que foi oferecida aps, at a repercusso da atividade juntos aos funcionrios. O artigo tambm mobiliza algumas referncias bibliogrficas sobre a histria do MCRB, terceirizao e hospitalidade, contribuindo para a consecuo do debate.

Aps a oficina, foi aplicado um questionrio annimo para saber quais foram as impresses que os participantes tiveram sobre a atividade. Tais informaes contriburam significativamente nas reflexes aqui desenvolvidas e sero compartilhadas neste artigo.

As impresses dos bolsistas sobre a atividade tambm sero registradas, sublinhando, sobretudo, a necessidade de pensar acerca da relao que as instituies culturais estabelecem com seus funcionrios terceirizados.

 

UM MUSEU E UM CENTRO DE PESQUISA ACADMICA

A casa que hoje abriga o MCRB possuiu alguns donos ao longo dos seus 168 anos de existncia. Destes, o mais ilustre foi Rui Barbosa, que viveu na casa entre os anos de 1895 at 1923. Um ano aps seu falecimento, em 1924, sua residncia foi vendida para o governo brasileiro, pela sua esposa, com o intuito de preservar a memria do marido e sua vasta e rica biblioteca. Portanto, poca, foi vendida () a casa, mobilirio, biblioteca, manuscritos, arquivo e propriedade intelectual das obras Fazenda Federal dos Estados Unidos do Brasil pelo valor de dois mil, novecentos e sessenta e cinco contos de ris (MAGALHES, 1994, p. 21). Alm do corpo principal da casa, havia ainda um jardim de 9 mil m que o cercava, repleto de vegetao colorida e frutfera, at hoje preservado (COSTA; DUARTE, 2016).

Em 1927, atravs do decreto presidencial de quatro de abril de 1927, a casa transformada em museu (MUSEU CASA DE RUI BARBOSA, 2013), enquadrado atualmente na categoria de museu casa de personalidade (CARVALHO, 2013). Trs anos mais tarde, aberta a Casa de Rui Barbosa, ainda um museu-biblioteca, inaugurado pelo ento Presidente Washington Lus, aps a realizao de obras no jardim e adaptao da casa para abertura ao pblico. Aps a realizao de obras no jardim e adaptaes na casa para abertura ao pblico, inaugurada em 1930 pelo ento Presidente Washington Lus a Casa de Rui Barbosa. Cada uma das salas da casa foi nomeada em referncia momentos importantes de Rui Barbosa na poltica, no direito e na sua vida familiar (MAGALHES, 1994).

Em 1938, a casa tombada pelo ento Servio de Patrimnio Histrico e Artstico Nacional (Sphan), por conta do seu valor histrico e artstico nacional (MUSEU CASA DE RUI BARBOSA, 2013). Alm disso, o jardim da casa se enquadra na categoria de jardins histricos, definida pela Carta de Florena, assinada na dcada de 1980. O referido documento entendido como documento bsico para a salvaguarda dos jardins histricos mundiais (ICOMOS, 1981).

Desde a sua criao, o MCRB tem carter educativo bastante evidente, considerando sua instaurao por lei como instituio de educao extra-escolar e museu-biblioteca do Ministrio da Educao e Sade logo nos seus primeiros anos de existncia (FUNDAO CASA DE RUI BARBOSA, 2017). Com a criao do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa na dcada de 1950 cuja proposta era a realizao de estudos no domnio do direito e da filosofia a atividade de pesquisa acadmica comea a crescer na instituio.

O ponto mximo da atividade de pesquisa reflete-se na alterao da personalidade jurdica do MCRB que transformado em fundao com a lei n 4.943/1966 para (...) melhor cumprir suas finalidades de desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, como tambm, a divulgao e o culto da obra e vida de Rui Barbosa (FUNDAO CASA DE RUI BARBOSA, 2017). A dcada de 1970 trouxe grandes alteraes instituio com a criao do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (Portaria/005, 18/10/1972) e inaugurao do edifcio-sede da FCRB. Atualmente, o museu uma diviso do Centro de Memria e Informao da Fundao Casa de Rui Barbosa (FCRB/Ministrio da Cultura). Portanto, possvel perceber que a atividade de pesquisa acadmica uma das caractersticas da instituio, que lana editais que contemplam reas de pesquisa diversas, indo desde a restaurao e conservao pesquisa em turismo e hospitalidade.

 

HOSPITALIDADE E MCRB: CONTEXTUALIZAO DA ATIVIDADE

J h algum tempo, a museloga Aparecida Rangel[4], servidora da FCRB, percebia a relativamente baixa integrao que a instituio tem com os funcionrios terceirizados. Em levantamento realizado em meados de 2015, foram contabilizados 46 postos de trabalhos terceirizados na FCRB, divididos entre atividades como limpeza, vigilncia, recepo, manuteno e jardinagem. No segundo semestre de 2014, a museloga decidiu entrevistar os profissionais que atuavam no museu e no jardim parte dos terceirizados esto alocados no prdio anexo ao museu no intuito de analisar como eles percebiam o Museu.

Alm do encantamento e curiosidade que muitos demonstraram, foi flagrante a falta de informao e o desconhecimento da histria da casa em que trabalhavam e de seu morador mais ilustre. Esse resultado no foi surpreendente e s evidencia algo que a Aparecida Rangel j desconfiava, os terceirizados so negligenciados. Nesse sentido, cabe tentar compreender um pouco melhor a realidade do labor dessas pessoas.

H literatura abundante sobre como a terceirizao tende a precarizar o trabalho: salrios e benefcios limitados, jornadas de trabalho mais extensas, pouca segurana no emprego, entre outros fatores (ANTUNES, 2001; THBAUD-MONY e DRUCK, 2007; LIMA, 2010). O presente trabalho acaba por abordar um outro aspecto negativo decorrente da terceirizao: a fragilidade dos vnculos com a instituio em que trabalha. No contexto da Fundao Casa de Rui Barbosa, esta questo se torna mais relevante pelo fato da mesma ter como misso o desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, a divulgao e o culto da obra e vida de Rui Barbosa (Lei 4.693 de 06 de abril 1966). Como admitir, ento, que as pessoas que l trabalham sequer saibam o que o MCRB? comum que aps a contratao dos concursados da FCRB seja oferecida uma visita para que estes conheam o museu. Tal prtica, no entanto, no se repete com os funcionrios terceirizados. Um dos motivos que os cargos ocupados por esses profissionais so de alta rotatividade, poucos so os funcionrios terceirizados que se mantm no mesmo posto por mais de dois anos, por exemplo. Recorrentemente, a empresa contratante realoca os funcionrios em outros postos de trabalho, o que dificulta o fortalecimento do vnculo com o local de trabalho e com os colegas.

Mesmo no sendo atividades-fim, as funes que esses profissionais desempenham so fundamentais para o funcionamento do museu. O visitante raramente tem contato com a diretoria do museu, os muselogos, ou com os tcnicos de conservao; mas, invariavelmente, ao entrar no jardim, ver os jardineiros, os vigilantes, conversar com os recepcionistas. So, justamente, essas pessoas com quem os visitantes tm contato. So eles que esto na linha de frente.

Em 25 de abril de 2015, a Veja Rio publicou uma matria intitulada O teste dos museus do Rio. Os reprteres, paisana, visitaram alguns museus e avaliaram a qualidade dos servios prestados e relataram suas experincias. Os jornalistas teceram duras crticas ao atendimento em museus de grande porte no Rio, como o Museu de Arte Moderna e o Museu de Arte do Rio. A matria registra que a qualidade das equipes no est necessariamente associada ao porte da instituio. Logo em seguida, h uma meno ao MCRB:

 

Enquanto na Casa de Rui Barbosa, por exemplo, todos os funcionrios se mostraram atenciosos e preparados, no CCBB parte dos profissionais revelou desconhecimento das exposies em cartaz e dos servios oferecidos pelo espao (VEJA RIO, 2015).

 

Mesmo pequena a nota, foi um importante indicativo sobre a qualidade do acolhimento ao visitante. Na ocasio da publicao da reportagem, a direo do museu convocou todos os funcionrios e manifestou o reconhecimento do trabalho que estavam prestando e a importncia de cada um para o funcionamento do museu. H algum tempo, a questo da hospitalidade tem sido relevante no MCRB: o prprio projeto de pesquisa em questo surge desta preocupao.

Em 2014, a FCRB organizou o Encontro Brasileiro de Museus-Casas. Durante o evento, a prof. Manuela Valduga, da Faculdade de Turismo e Hotelaria da Universidade Federal Fluminense, ministrou uma Oficina de Hospitalidade. Na ocasio, a professora props aos participantes, em sua maioria pesquisadores ou profissionais que trabalhavam diretamente em museus, a pensar em como essas instituies poderiam ser mais acolhedoras. Foi uma experincia muito interessante e o debate possibilitou conhecer um pouco da realidade de outros museus. Cabe registrar que apesar do mesmo nome, a oficina realizada com os terceirizados foi diferente da supracitada.

A modalidade de oficina era a mais apropriada para os fins desejados, pois evoca a ideia de construo coletiva. Alm disso, era desejado afastar-se da possibilidade de limitar a atividade uma espcie de aula de boas maneiras, em que o foco fosse apenas o visitante do museu. O principal objetivo era promover uma reflexo acerca do acolhimento e da abertura ao outro, fazer com que eles se sentissem acolhidos pela instituio para que juntos pudessem acolher o visitante. Camargo (2015) atenta para como os papis de anfitrio e hspede so transitrios: ao sair de casa, o anfitrio torna-se um hspede nos espaos por onde transita, mas, eventualmente, volta a ser um anfitrio no seu trabalho.

Considerado isso, a oficina primou por debater sobre o vnculo social, salientando a perspectiva da ddiva, compreendendo a questo da hospitalidade em seu sentido lato, como sugere Ada de Freitas Maneti Dencker:

 

A hospitalidade manifesta-se nas relaes que envolvem as aes de convidar, receber e retribuir visitas ou presentes entre indivduos que constituem uma sociedade, bem como formas de visitar, receber e conviver com indivduos que pertencem a outras sociedades e culturas; desse modo, pode ser considerada com a dinmica do dom. Todas as sociedades tm normas que regulam essas relaes de troca entre as pessoas, o que parece demonstrar que, de alguma maneira, elas atendem a uma ou mais necessidades humanas bsicas. (DENCKER, 2004, p.189)

Cabe ainda frisar que muitos dos participantes da oficina no tinham o hbito de visitar museus e alguns nunca haviam visitado mesmo trabalhando em um. Uma das ideias da equipe de bolsistas para este ciclo de atividades era a de visitar um outro museu. Pela proximidade ao Museu Casa de Rui Barbosa e boa relao interinstitucional, escolheu-se o Museu do ndio para a eventual visita. A equipe foi rapidamente dissuadida de tal ideia, pois no seria permitido que dez, doze funcionrios se afastassem do seu local de trabalho. Alm disso, se algo acontecesse a um deles, a FCRB correria riscos legais por ter retirado os profissionais de seus postos de trabalho. Diante deste impedimento, a equipe de bolsistas buscou se assegurar sobre as questes legais relacionadas a este tipo de atividade. Como a oficina seria durante o horrio de trabalho e dentro das instalaes da FCRB, ela se configuraria como treinamento profissional, ainda que no fosse essencialmente isto.

 

CONTEDOS DA OFICINA

Foi um desafio para a equipe decidir quais contedos e referncias que deveriam constar. Algumas bases para o trabalho foram elegidas. O ponto de partida foi o clssico Ensaio sobre a ddiva de Marcel Mauss (2005), publicado pela primeira vez em 1925. A obra, um marco no desenvolvimento da sociologia durkheimniana, se apropria de estudos etnogrficos sobre diversos grupos para tecer uma reflexo densa acerca de seus sistemas de trocas. Mesmo no sendo possvel explicar com detalhes a construo argumentativa de Mauss, a partir de exemplos do intercmbio do Kula entre os habitantes das Ilhas Trobriand e o Potlatch dos ndios da Amrica do Norte, foi possvel debater questes como a virtude, a reciprocidade, e, evidentemente, a ddiva.

No foi difcil introduzir a ideia da trade dar-receber-retribuir, sobretudo por ideias anlogas serem bastante difundidas no senso comum, expressas, por exemplo, no ditado popular: fazer o bem sem saber a quem. No mesmo diapaso, o mito da Hospitalidade foi apresentado a partir de um texto do telogo Leonardo Boff (2005). Em linhas gerais, o mito narra a jornada de deuses que se transformaram em andarilhos e percorreram vilarejos em busca acolhimento. A maioria das pessoas negou qualquer ajuda. Uma das famlias mais humildes acaba por abrigar e repartir suas provises com os andarilhos. Aps o gesto solidrio, os andarilhos revelaram suas verdadeiras identidades e lhes concederam um pedido. H algumas variaes deste mito presentes em vrias culturas. Na vertente do cristianismo, por exemplo, a moral reside na solidariedade de acolher desconhecidos e necessitados.

No que tange efetivamente os estudos da Hospitalidade, dois autores brasileiros bastante relevantes para o campo foram usados como base: Luiz Octvio de Lima Camargo e Lucio Grinnover. Camargo (2004) alvitra que a hospitalidade se manifesta em quatro momentos ou tempos sociais: receber, hospedar, alimentar e entreter. O autor define o receber como o ato de acolher pessoas que batem porta, seja em casa, na cidade, no hotel ou virtualmente, evidenciando que este seja o prprio sinnimo de hospitalidade. O hospedar elucidado no somente na ao de conceder abrigo, como tambm engloba o calor humano dedicado a algum, sob a forma da oferta de um teto ou ao menos de afeto, de segurana, ainda que por alguns momentos. O alimentar baliza e efetiva o ato da hospitalidade mesmo que este alimento seja metafrico ante a forma de um copo dgua ou do po que se compartilha. Por fim, o entreter apresentado como o ato de proporcionar s pessoas que so recebidas perodos prazerosos e de descontrao (CAMARGO, 2004, p. 52).

Agregando ao exposto anteriormente, Grinnover (2006) disserta a respeito de uma cidade ser ou no hospitaleira apresentando a coexistncia de trs dimenses: a acessibilidade, a legibilidade e a identidade. A acessibilidade diz respeito equidade de oportunidade a todos os cidados. Neste sentido, abordada sobre dois aspectos: o tangvel (como por exemplo: sistema de transporte, sistema de infraestrutura viria; localizao de espao dos servios ou atividades urbanas) e o intangvel (acessibilidade cultura, informao). A legibilidade entendida como a qualidade visual de uma cidade, de um territrio, examinada por meio de estudos da imagem mental que dela fazem, antes de qualquer outro, os seus habitantes (GRINNOVER, 2006, p. 43), o que se resume como a clareza pela qual cidades so capazes de serem reconhecidas e organizadas de forma harmoniosa. Por fim, a identidade e sua relao com a hospitalidade urbana diz respeito a importncia da manuteno das caractersticas que remetem a construo e histria da cidade. Contrapondo o processo de globalizao, em que h a tendncia da padronizao de paisagens e estilos de vida, por exemplo.

Para alm do contedo relacionado diretamente questo da hospitalidade, pensou-se que seria interessante trazer referncias para a questo do Patrimnio Cultural. Uma obra fundamental e bastante acessvel foi o livro Cultura patrimnio um guia de Lucia Lippi Oliveira (2008). A partir dele, foi demonstrado aos participantes que o patrimnio cultural da cidade tambm lhes pertencia e que um desafio superar as barreiras que possam atrapalhar o seu acesso.

 

COMO VOC RECEBE ALGUM NA SUA CASA?: NOTAS SOBRE A OFICINA

Em paralelo pesquisa para definio de contedo e de referncias que seriam utilizados na elaborao da oficina, realizou-se o planejamento de todo processo que a envolveu, desde o convite aos funcionrios at a realizao de uma visita mediada ao museu com os mesmos.

Como j dito, na ocasio havia 46 terceirizados trabalhando em diferentes turnos na FCRB. Como a proposta da oficina era de algo intimista, que valorizasse a participao de todos os presentes e pelo fato da escala de trabalho de alguns funcionrios ser em dias alternados, optou-se por realizar quatro sesses de oficina. As sesses aconteceram em duas segundas-feiras dias 17 e 24 de agosto de 2015 duas na manh e duas a tarde.

As atividades ocorreriam dentro do horrio comercial e foi conseguido junto aos setores em que estes profissionais esto alocados que eles fossem liberados para a participao na oficina durante suas jornadas de trabalho. A participao na oficina no era obrigatria e tampouco houve coero para que participassem: acreditava-se que se a presena fosse voluntria, o interesse dos funcionrios poderia ser maior e a participao mais ativa. Nessas condies, o primeiro desafio imposto era o de atrair os participantes. Para estabelecer o primeiro contato com os funcionrios, a equipe elaborou um convite nominal que foi entregue pessoalmente a cada terceirizado por um dos bolsistas. J nesta ocasio, foi possvel perceber algumas reaes por parte dos funcionrios procurados. A grande maioria demonstrou se sentir prestigiada quando abriram o envelope e havia um convite com seu nome escrito. Em quase todos os casos, os funcionrios responderam com entusiasmo que iriam comparecer na oficina. Houve casos de vigilantes que teriam seus plantes no perodo noturno e que solicitaram troca de turno com colegas para poderem participar da oficina. Apenas alguns ficaram assustados e receosos quando procurados por um bolsista com um envelope, mas quando perceberam do que se tratava, a expresso mudava.

As sesses da oficina aconteceram no poro do MCRB e tiveram carga horria total de quatro horas cada. Em todas as sesses, dois bolsistas ficaram responsveis por serem os mediadores principais. Porm, os cinco bolsistas, que estavam vinculados Instituio nesse perodo, participaram ativamente de todas sesses da oficina. Optou-se por um formato expositivo e prtico com a realizao de dinmicas, visando a troca de experincias entre os participantes. Tambm foram utilizados vdeos sobre a temtica para tornar o encontro mais atrativo.

Os funcionrios foram recebidos pelos bolsistas e cada um recebeu um kit que continha uma pasta com a logo da FCRB, bloco para anotaes e uma caneta. Aps todos os convidados da sesso terem chegado e se acomodado, iniciava-se a sesso com o discurso da chefe do Museu, Jurema Seckler, conforme a figura 1.

 

Figura 1 Jurema Seckler, chefe do museu, abrindo uma das sesses da oficina

Fonte: acervo prprio

 

Em seguida, fazia-se a apresentao dos participantes. Estes foram divididos em duplas e, aps breve conversa, um apresentava o outro (nome, funo, quanto tempo trabalha na FCRB, sua relao com o pblico, eventuais informaes complementares). Essa dinmica foi pensada para que os participantes se sentissem mais vontade e percebessem que estavam ali, sobretudo, para serem ouvidos. O interessante que alm das informaes demandadas pela apresentao, em algumas sesses, os participantes fizeram questo de tecer algum elogio aos que por eles estavam sendo apresentados. Tal ao desencadeou um ciclo de gentilezas e elogios, sendo o ambiente propcio para o incio das atividades.

Em seguida, foi apresentado um vdeo[5] que mostrava uma criana presenciando uma srie de aes de hostilidade em diferentes locais com diferentes pessoas. Em um determinado momento a criana resolve ajudar um dos hostilizados, dando incio a um ciclo de boas aes, que eram observadas por outras pessoas que praticariam uma boa ao para outra pessoa e assim por diante. O vdeo termina mostrando pessoas reunidas ajudando a criana do incio a pintar um muro pichado.

Posteriormente, o mediador introduziu as primeiras ideias sobre o mito da hospitalidade a partir da perspectiva do telogo Leonardo Boff e, em seguida, foram mobilizadas as etnografias que Marcel Mauss se baseia para O ensaio sobre a ddiva. Tentou-se abordar estas referncias de forma bastante acessvel, pois a finalidade era ilustrar sobre como a hospitalidade ganha forma nas relaes humanas.

No intuito de introduzir as ideias de Camargo (2004) acerca dos quatro momentos da hospitalidade, uma questo referente ao dia-a-dia dos participantes foi levantada. Foi proposto que cada um respondesse a seguinte pergunta: Como voc recebe um convidado na sua casa? . A partir da resposta de cada um, um dos mediadores que estava controlando o computador tentava, de maneira descontrada, resumir a ideia em poucas palavras e digitava para que ficasse registrado na tela. Por exemplo: um dos participantes disse que quando convida algum para visita-lo, faz questo de preparar uma refeio especial. A ideia foi resumida com Master chef, aludindo ao reality-show culinrio. Outra participante disse que quando convida algum sempre faz uma festinha na laje e dana o ritmo charme com os amigos; ideia resumida com charme na laje. Aps todos responderem, dividiu-se a tela da apresentao em quatro quadrantes e em cada um deles foi colocado um dos tempos da hospitalidade de Camargo (2004): receber, hospedar, alimentar e entreter. Foi proposto, ento, que os participantes ajudassem os mediadores a posicionar cada uma das ideias em um dos quadrantes, como demonstra a figura 2 a seguir:

 

Figura 2 - Quadro final com as aes organizadas de acordo com os quatro tempos da hospitalidade.

Fonte: acervo prprio.

 

Essa dinmica foi riqussima, pois foi possvel demonstrar que a hospitalidade est presente no cotidiano e que, em alguma medida, todos j a praticaram em algum momento, sem ao menos se atentar a isso. Percebeu-se o quanto a contribuio de Camargo (2004) acessvel, pois todos demonstraram entender sobre o que se trata os quatro tempos da hospitalidade.

Logo em seguida, as ideias de Lucio Grinnover (2006) foram expostas e os j referidos espaos da hospitalidade abordados. Os participantes trouxeram bons exemplos acerca desses espaos e discutiram como, muitas vezes, as placas da cidade do Rio de Janeiro no so to claras e dificultam o acesso dos lugares buscados. Ou ainda, como as caladas so apertadas e dificultam a mobilidade das pessoas pela cidade, sobretudo os mais velhos ou com algum tipo de mobilidade reduzida.

Concluda esta etapa, foi feito um intervalo para o coffee break, na tentativa de realizar uma ponte relacionando este ato da hospitalidade com o do bem receber explicitado por Camargo (2004). Alm disso, o intervalo serviu como um momento de quebra gelo para que todos interagissem com conversas descontradas entre eles prprios e entre os mediadores. A pausa foi importante para que os laos entre os mediadores e os participantes fossem estreitados.

Ao trmino da pausa do coffee break, a oficina foi retomada com a exibio de um vdeo produzido pelo bolsista Luciano Caetano[6], no qual foram reproduzidas em animao 3D as salas sociais da casa de Rui Barbosa com base em fotografias, documentos oficiais e relatos levantados por ele. Para a oficina, o propsito deste vdeo foi o de contar um pouco da histria do museu para os participantes e introduzir a discusso sobre patrimnio cultural.

Em seguida, as perguntas o que um patrimnio? e por que ele to importante? foram feitas aos participantes. Foram debatidas as diferentes concepes sobre o que um patrimnio, passando pela conotao de posses at se chegar ao conceito de patrimnio cultural. Os mediadores frisaram o fato do museu ser considerado como tal, alm de trazer exemplos de outros patrimnios culturais existentes, incluindo os imateriais.

Ainda na questo supracitada, os mediadores salientaram a importncia que cada um dos participantes tem para manter o MCRB funcionando e preservado. Cada um, desde a manuteno e limpeza das salas, at a segurana da instituio como um todo, desempenham papis fundamentais para que o local esteja em condies de acolher pessoas diariamente. De uma viso mais ampla, essas pessoas eram responsveis por construir a imagem da FCRB, pois muitas vezes, eram com elas que os visitantes tinham seu primeiro contato, so elas as responsveis por deixarem as instalaes limpas, por cuidarem do jardim, dentre outras atividades.

Neste ponto da discusso, os participantes foram encorajados a compartilharem experincias, tanto positivas quanto negativas que ocorreram no dia-a-dia de trabalho. Das experincias negativas que surgiram, os mediadores solicitaram que os participantes pensassem sobre a melhor maneira de resolver a situao, principalmente tentando se colocar na posio do outro, e pensando de maneira mais ampla sobre quais seriam as melhores prticas para acolher bem ao outro, seja visitante ou colega de trabalho.

Terminada a dinmica de grupo, os mediadores faziam um agradecimento geral aos participantes, salientando, novamente, da importncia deles para a instituio e reiterando que as prticas da hospitalidade j estavam enraizadas nos seus cotidianos. Em seguida, os certificados de participao na oficina foram entregues juntamente com um kit de publicaes da casa. Para finalizar a atividade, os mediadores convidaram os participantes para uma fotografia e tambm para uma visita mediada no museu.

Ao trmino das sesses da oficina, um questionrio foi entregue para cada um dos participantes para que respondessem algumas questes trazidas pelos mediadores. O questionrio consistia de apenas oito questes, sendo duas delas abertas. A primeira pergunta questionava se o respondente havia se sentido bem acolhido durante a oficina e o porqu, j a segunda pedia que o respondente destacasse o melhor e o pior momento da oficina, novamente destacando o porqu das respostas.

As perguntas subsequentes pediam uma resposta negativa ou afirmativa. A terceira questo perguntava se a apresentao havia facilitado o entendimento; na quarta pergunta, o respondente deveria dizer se havia conseguido entender o contedo apresentado; na quinta, questionava-se se o contedo exposto era novidade ou no; na sexta era perguntado se o respondente acreditava conseguir aplicar os conhecimentos aprendidos em sua vida; na stima, perguntava-se se os mediadores souberam passar o contedo para os participantes; na oitava se os respondentes preferiam que a prxima edio fosse no poro ou na sala de cursos; e finalmente, foi deixado um espao para os respondentes deixassem quaisquer comentrios sobre a oficina e a experincia vivida.

Dos 46 funcionrios levantados, 36 participaram da oficina[7] e, consequentemente responderam ao questionrio. Com relao aos resultados obtidos, pode-se destacar que os comentrios recebidos nas duas perguntas abertas foram, em sua totalidade, comentrios positivos que destacaram o agradecimento dos participantes por poderem participar da oficina, bem como do contedo adquirido nela. Um dos respondentes escreveu na primeira pergunta: Sim, fazer parte de um sistema, estar junto faz valer a democracia, saber que algum v a importncia de um terceirizado em relao a qualidade e bem-estar dos visitantes (em geral). Na segunda pergunta, muitos dos respondentes destacaram como melhor momento da oficina a oportunidade de trocar ideias, conhecimento e conhecerem melhor uns aos outros. Alguns destacaram que o momento ruim foi o final como expe o comentrio a seguir: O melhor foi o incio e o meio, o pior foi o fim. Risos.

As respostas s perguntas objetivas, em sua totalidade destacaram que a apresentao do contedo facilitou o entendimento da oficina, os mediadores souberam passar o contedo e a compreenso dela como um todo foi considerada fcil. Alguns respondentes sinalizaram que o contedo exposto no foi novidade. Novamente, a totalidade dos funcionrios, destacaram que acreditavam que iriam conseguir aplicar os conhecimentos aprendidos na oficina em suas vidas. O grupo de bolsistas se surpreendeu ao perceber que alguns dos respondentes deixaram comentrios de agradecimento pela realizao da oficina, formalizando o interesse em participar das edies futuras e tambm de outros eventos.

A visitao na casa aconteceu na mesma semana da oficina. Foi um momento muito especial, pois, para a maioria dos funcionrios, era a primeira vez que entravam na casa enquanto visitantes. Por mais que o espao fosse conhecido, a relao que os funcionrios estabeleciam com ele era diferente. Despidos de suas obrigaes laborais, lanaram um outro olhar sobre a casa. Sentiram-se vontade para fazer perguntas. Algumas das curiosidades, claramente, no estavam surgindo naquele momento, mas, que agora poderiam ser perguntadas.

A inteno em realizar a visita com os funcionrios era demonstrar que aquele espao tambm pertence a eles. A expectativa era que pudessem trazer seus familiares e amigos para conhecerem o museu tambm. Mais do que isso: que passassem a vislumbrar a possibilidade de usufrurem de seus tempos de no-trabalho visitando instituies culturais.

 

CONSIDERAES FINAIS

A atividade aqui narrada reitera como a terceirizao tende a precarizar as relaes de trabalho, evidenciando a dificuldade de se estabelecer vnculos mais estveis entre o funcionrio e a instituio em que trabalha. No caso da Fundao Casa de Rui Barbosa, notou-se o quanto os funcionrios terceirizados so negligenciados, no recebendo o mesmo tratamento que os demais funcionrios por conta da alta rotatividade nos postos de trabalho e outras razes. Alm disso, h, geralmente, uma grande preocupao em como receber o pblico, porm se olvida das pessoas que esto prximas, mas que no so convidadas para usufrurem do espao em questo fora do tempo de trabalho.

Um dos maiores mritos da oficina de hospitalidade com os terceirizados foi, premeditadamente, no se caracterizar como uma aula de boas maneiras ou um adestramento dos funcionrios. No se pode esperar que estes acolham bem os visitantes, se no se sentirem acolhidos pela instituio. Desta forma, o principal objetivo era aumentar a integrao dos funcionrios com a instituio, sublinhando a relevncia histrica, poltica e cultural da FCRB, e, principalmente, reforando a importncia do trabalho de cada um para o funcionamento desta grande engrenagem. O foco da ateno era principalmente os funcionrios, mas intua-se que tal ao poderia deixa-los mais motivados, o que poderia gerar um impacto positivo na forma como os mesmos interagiriam com os visitantes. De certa forma, tais expectativas se concretizaram, pois foi perceptvel o quanto a relao destas pessoas com o pblico e com os colegas de trabalho melhorou.

Para alm disso, a oficina permitiu um momento de discusso e compartilhamento de conhecimento acerca da temtica da hospitalidade, de modo que conceitos, ideias, contextos pertinentes ao tema foram divididos com os funcionrios da instituio. A eles foi mostrado que as suas aes cotidianas de receber, entreter, alimentar e hospedar so assuntos de pesquisa de outros pesquisadores que buscam compreender melhor essas questes, conforme prope Camargo (2004) e como elas impactam e esto presentes na vida em sociedade. Os grupos tambm trouxeram contribuies expressivas para tratar dos assuntos indicados por Grinover (2006) na discusso sobre legibilidade, acessibilidade e identidade na cidade do Rio de Janeiro, indicando exemplos de cada um dos pontos trazidos pelo autor. Similarmente, ao trazer os contedos sobre patrimnio, foi perceptvel o quanto os conceitos de Lucia Lippi Oliveira (2008) esto presentes na vida dos profissionais. A nica diferena que, aps as sesses, eles sabiam da existncia de pesquisadores que se dedicam em estudar cada um dos temas que foram apresentados na oficina.

Reconhece-se, no entanto, o quanto os resultados de uma ao desse tipo so difceis de serem aferidos. Mesmo o questionrio que aplicamos aos funcionrios no do a real dimenso do alcance dessa atividade. Justamente por serem questes bastante subjetivas, precisa-se discuti-las para alm dos muros da instituio, compartilhar a experincia em outros crculos e, se possvel, estimular aes parecidas.

Ao mesmo tempo, assume-se algumas limitaes. Por mais que a oficina tenha sido muito interessante, tem-se a conscincia que pouco perante aos desafios que se impem. A maioria dos funcionrios que participaram da oficina no esto mais alocados na FCRB e, com o fim deste projeto de pesquisa, no houve outras oficinas do tipo. De todo modo, este relato pode servir de base para que tais atividades sejam retomadas no futuro ou, eventualmente, replicadas por outras instituies.

 

REFERNCIAS

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Artigo recebido em: 02/07/2017*

Avaliado em: 17/08/2017*

Aprovado em: 23/11/2017*

 

*Artigo apresentado no XX SEMEAD FEA/USP de 2017 e selecionado para submisso por meio do processo de fast track aps adaptaes sugeridas pelos avaliadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Mestre em Turismo pelo Programa de Ps-Graduao em Turismo (PPGTUR) da Universidade Federal Fluminense e bacharel em Turismo pela mesma instituio. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0003-4257-0338 e-mail: romuloduarteoliveira@gmail.com

[2] Doutoranda em Administrao pelo Coppead/UFRJ; Mestre em Administrao pela EBAPE/FGV; Graduada em Turismo pela UFF. E-mail: renata.garanito@gmail.com

[3] Doutor e Mestre em Histria, Poltica e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentao de Histria Contempornea do Brasil (CPDOC/FGV); Graduado em Turismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: joaofreitas@id.uff.br

[4] Aparecida Rangel museloga e doutora em Cincias Sociais pela UERJ. Em 2015, defendeu a tese Museu Casa de Rui Barbosa: entre o pblico e o privado, em que explora as fronteiras entre a vida pblica e privada de Rui Barbosa, a partir de sua casa.

[5] Uma boa ao capaz de mudar o mundo. Disponvel em: < https://www.youtube.com/watch?v=bsuavOiwrD0 > Acesso em: 18 de junho de 2016.

[6] Entre que a casa sua Casa de Rui Barbosa. Vdeo produzido pelo bolsista do setor de Arquitetura da Fundao Casa de Rui Barbosa Luciano Caetano, no qual ele reproduz as salas de acolhimento ao pblico do Museu Casa de Rui Barbosa. Disponvel em: < https://www.youtube.com/watch?v=c1WwQx3WS4M >. Acesso em 18 de junho de 2016.

[7] No se teve adeso integral pois alguns funcionrios trabalham no turno da noite ou em postos que no h rendio.



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REVISTA HOSPITALIDADE ISSN 1807-975X    e-ISSN 2179-9164

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