Revista Hospitalidade, Ano V, nmero 2, segundo semestre de 2008

A EXPRESSIVIDADE DA DANA CIRCULAR BUSCA HOSPITALIDADE, ACOLHIMENTO E AMOROSIDADE NAS RELAES

 

THE EXPRESSIVENESS OF THE CIRCULAR DANCE SEEKS HOSPITALITY, WELCOMING AND LOVING RELATIONSHIPS

 

LA EXPRESIVIDAD DE LA DANZA CIRCULAR BUSCA HOSPITALIDAD, ACOGIDA Y AMOROSIDAD EN LAS RELACIONES

 

Newton vila[1]

Maria Luiza Cardinale Baptista[2]

 

RESUMO

Esta pesquisa prope a dana circular, como expresso de vnculos de acolhimento e amorosidade, em condies de oferecer sinalizadores para a hospitalidade. Tem como objetivos especficos: apresentar a dana circular num contexto relacional entre os sujeitos; relacionar os conceitos de acolhimento e amorosidade dana circular; identificar sinalizadores de hospitalidade, nos vnculos marcados pelo acolhimento e amorosidade, em decorrncia da dana circular. A Cartografia de Saberes, proposta por Baptista, a orientao metodolgica para a produo deste estudo, com realizao das trilhas de saberes pessoais, saberes tericos e a usina de produo. Foram realizadas aproximaes investigativas, com levantamento bibliogrfico, desenvolvimento de intervenes de dana em diversos ambientes e observao do corpo participante. Nas aes prticas, observao direta, observao participante, rodas de conversa, relatos de vivncias e experimentao com desenvolvimento da dana circular. Os resultados indicaram que o desenvolvimento da dana circular, proporcionou, aos sujeitos participantes, sensao de bem-estar, laos de proximidade, acolhimento e amorosidade. Concluiu-se que a dana circular uma forma de integrar o corpo e sua expressividade, em situao de comunicao e expresso. capaz de acionar o pensamento e explorar a criatividade, estabelecendo troca com o outro. Proporciona sensao de pertencimento e provoca soltura nos corpos, relaxamento e relao-convvio.

Palavras-chave: Hospitalidade; Dana circular; Acolhimento; Amorosidade.

 

ABSTRACT

This research proposes the circular dance, as an expression of the bonds of acceptance and amorousness, in conditions to offer signs for the hospitality. It has specific objectives: to present the circular dance in a relational context between the subjects; to relate the concepts of welcoming and amorous to circular dance; to identify flags of hospitality, in the bonds marked by the reception and amorousness, as a result of the circular dance. The Cartography of Saberes, proposed by Baptista, is the methodological orientation for the production of this study, with the realization of the tracks of personal knowledge, theoretical knowledge and the production plant. Investigative approaches were carried out, with a bibliographical survey, development of dance interventions in several environments and observation of the participant body. In practical actions, direct observation, participant observation, talk wheels, experiences reports and experimentation with circular dance development. The results indicated that the development of the circular dance provided the participants with a feeling of well-being, close ties, acceptance and love. I conclude that circular dance is a way of integrating the body and its expressiveness, in a situation of communication and expression. It is capable of triggering thought and exploring creativity, establishing exchange with the 'other'. It provides a sense of belonging and causes ease in bodies, relaxation and relationship.

Keywords: Hospitality; Circular dance; Welcoming; Amorosity.

 

RESUMEN

Esta investigacin propone la danza circular, como expresin de vnculos de acogida y amorosidad, en condiciones de ofrecer sealizadores para la hospitalidad. Tiene como objetivos especficos: presentar la danza circular en un contexto relacional entre los sujetos; relacionar los conceptos de acogida y amorosidad a la danza circular; identificar indicadores de hospitalidad, en los vnculos marcados por la acogida y amorosidad, como consecuencia de la danza circular. La Cartografa de Saberes, propuesta por Baptista, es la orientacin metodolgica para la produccin de este estudio, con realizacin de los senderos de saberes personales, saberes tericos y la usina de produccin. Se realizaron aproximaciones investigativas, con levantamiento bibliogrfico, desarrollo de intervenciones de danza en diversos ambientes y observacin del cuerpo participante. En las acciones prcticas, observacin directa, observacin participante, ruedas de conversacin, relatos de vivencias y experimentacin con desarrollo de la danza circular. Los resultados indicaron que el desarrollo de la danza circular, proporcion a los sujetos participantes, sensacin de bienestar, lazos de proximidad, acogida y amorosidad. Concluiu-se que la danza circular es una forma de integrar el cuerpo y su expresividad, en situacin de comunicacin y expresin. Es capaz de accionar el pensamiento y explorar la creatividad, estableciendo intercambio con el otro. Proporciona sensacin de pertenencia y provoca soltura en los cuerpos, relajacin y relacin-convivencia.

Palabras clave: Hospitalidad; Danza circular; Acogida; Amorosa.

 

1 INTRODUO

 

O presente artigo parte da dissertao de Mestrado intitulada Dana Circular e Hospitalidade: um corpo que se expressa e acolhe com amorosidade, e, que foi defendida em 2017, no Programa PPGTURH Turismo e Hospitalidade, da Universidade de Caxias do Sul, UCS, sob a orientao da Prof. Dr. Maria Luiza Cardinale Baptista e coorientao da Prof. Dr. Susana de Arajo Gastal.

Este trabalho prope apresentar a dana circular como expresso[3] de vnculos de acolhimento e amorosidade, em condies de oferecer sinalizadores para a hospitalidade. A proposta em estudar esta problemtica vem da observao emprica das aes e reaes dos sujeitos em suas relaes, pressupondo a necessidade de produzir uma convivncia baseada na hospitalidade, que crie vnculos de acolhimento e amorosidade entre as pessoas. Especificamente, objetiva: apresentar a dana circular num contexto relacional entre os sujeitos; relacionar os conceitos de acolhimento e amorosidade dana circular; identificar sinalizadores de hospitalidade, nos vnculos marcados pelo acolhimento e amorosidade, em decorrncia da dana circular.

A dana analisada neste estudo a dana circular. Esta se apresenta como algo que pulsa, traz movimento, prope expressividade e faz refletir (a possvel constituio de relao consigo mesmo e com o outro[4]). A dana, pode-se dizer, teve um papel preponderante ao longo da histria da humanidade, uma vez que, desde a Antiguidade at a contemporaneidade, percebe-se a necessidade contnua em interagir e comunicar-se por meio dela.

Os pressupostos metodolgicos deste trabalho tm como base a Cartografia de Saberes (BAPTISTA, 2014). A Cartografia de Saberes, resumidamente, trata-se de abordagem transdisciplinar, alinhada aos pressupostos tericos da Cincia Contempornea, na perspectiva complexo-sistmica, sendo possvel perceber sua potncia para criar uma sistematizao, sem aprisionamento, de acordo com Baptista (2014). Por meio de seu processo, compreendem-se os critrios que orientam o cartgrafo, tomando como base o conceito de cartografia, apresentado por Sueli Rolnik (1989), segundo o qual Baptista (2014) afirma que existe uma trama de trilhas a serem acionadas. A estratgia metodolgica consistiu em realizar trilhas com a produo de saberes pessoais, saberes tericos e usina de produo, o que permitiu deixar fluir amarraes da pesquisa de cunho exploratrio. As perspectivas metodolgicas foram realizadas com aproximaes investigativas, que ocorreram com levantamento bibliogrfico, desenvolvimento de intervenes de dana em diversos ambientes e observao do corpo participante (na expressividade e na comunicao). Nas aes prticas, observao direta, observao participante, rodas de conversa, relatos de vivncias e experimentao com dana circular.

Segundo Gil (1999), a observao constitui elemento fundamental para a pesquisa, , tambm, a utilizao dos sentidos humanos, para obter determinada informao sobre aspectos da realidade. Corroborando com esta afirmao, Rdio (2002) acentua que o termo observao no se trata apenas de ver, mas, de averiguar, sendo por este meio, mais fcil de conhecer as pessoas, os acontecimentos e os fenmenos. Assim, a observao direta e a observao participante, convergem com a possibilidade de tonificar as relaes.

A respeito das rodas de conversa, um meio para uma comunicao dinmica e produtiva, com estmulo ao dilogo, assim como um dispositivo para ser utilizado como prtica metodolgica de aproximao entre os sujeitos. tambm, um espao de partilha e confronto de ideias, proporcionando a liberdade da fala e da expresso, em que se prope a construo do conhecimento coletivo, possibilitando a transformao (FREIRE, 1991). Para elucidar, trago um exemplo do Amorcomtur! Grupo de Estudos em Comunicao, Turismo, Amorosidade e Autopoiese, que vem desempenhando prticas experienciadas pelas rodas de conversa, e do qual fao parte, constatando que se trata de um dispositivo libertador e extremamente desafiante para a vinculao das pessoas. E em relao vivncia, etimologicamente deriva do grego viventia, que significa o fato de ter vida. A vivncia como elemento constitutivo de vida, de experincia, segundo Merleau-Ponty (1994), mostra a expressividade como extenso do entendimento do corpo, em que se permite, atravs dela, experienciar, perceber e refletir, e contido em toda a dimenso humana, constitui como um veculo do ser no mundo para explorar novas possibilidades.

Justifica-se a importncia da relao da dana com a hospitalidade, acolhimento e amorosidade, trazendo referenciais tericos para a construo deste estudo. Neste contexto, falar de hospitalidade entender a fruio que habita na relao com o lugar e na relao com o outro, implicando a relao humana. Por lugar de hospitalidade, pode-se entender aquele que aberto ao outro, que possibilita o sentir-se vontade, o ter pertencimento e o bem-estar ao estar no ambiente (BAPTISTA, 2008). Dessa forma, possvel que o espao possa se transformar em lugar, num movimento consciente de humanizao desse espao. E pode fazer com que os sujeitos, ao se sentirem bem, tenham reaes de comportamento favorveis ao encontro, tornando possvel a construo das relaes de convivncia, observados neste estudo, por meio da dana.

Finalmente, a amorosidade, pode-se dizer, garante amor e acolhimento, para tornar as relaes mais agradveis. Assim, a amorosidade libertria. Ela uma atitude que comea na mente e acaba se instalando no corao, como um jeito novo de ser, e s acontece em quem capaz de amar. Para isso, necessrio, viver o amor em si. Deixar despertar em seu interior a plenitude do amor. Sem rtulos. Sem pr-conceitos. Sem distines. A ao da amorosidade, tambm permite que se aproximem as pessoas do conjunto de virtudes, pois, nela, esto includos o cuidado[5], o respeito[6], a confiana. Vem ao encontro dessas afirmaes o que Maturana (1998) apresenta, pontuando que as emoes no so algo que obscurece o entendimento, no so restries da razo: as emoes so dinmicas corporais que especificam os domnios de ao em que nos movemos. Evidencia o autor ser possvel perceber que as emoes fazem parte do cotidiano dos sujeitos. Considera-se que a dana circular produz e se alimenta da amorosidade. A dana traz consigo o tato, o contato com o toque das mos, que possibilita a sensao de odor e temperatura, as tenses nervosas, bem como revela sentimentos no reconhecimento do outro, na aproximao.

Essas constataes permeiam a dana circular, que pressupe a relao eu e o outro, por meio do crculo e do auxlio mtuo entre os sujeitos. Considera-se que a primeira formao desenvolvida na vida social e em grupo, foi a roda. Com isso, foi percebido pelas culturas antigas que, especialmente a forma circular, era o estmulo para estar e fazer junto com o outro. O crculo tem, em sua consistncia, a forma geomtrica espacial, que simboliza a perfeio e harmoniza, com a plenitude que o ser humano est sempre em busca para atingir, pois a centralidade circular pe todos de frente em sintonia (COSTA, 1998). E o mais impressionante do crculo, a cooperao que pode existir entre os que esto na roda, se ajudando mutuamente, simplesmente por fazer a roda se movimentar harmonicamente.

Na constituio do crculo, h uma conduta inclusiva, no importando as diferenas de classe social, etnia, gnero, faixa etria. O crculo e a roda comparam-se a um sistema orgnico, no qual [...] as pessoas so vistas como clulas, individualmente criativas [...] (RAMOS, 1998, p. 175). E em momentos de descontrao ritmos, danas, mistura de culturas e at mesmo cantos, so somados para se fazer perceber a importncia que tem cada um na roda.

 

2 PASSOS METODOLGICOS E EXPRESSIVIDADE POR MEIO DA DANA

A metodologia o estudo dos caminhos para se chegar a um determinado fim. Definir a metodologia sempre um desafio, pois ela d corpo ao trabalho e presentifica a consistncia do objeto estudado. Assim, dentre as possibilidades metodolgicas, busquei a que, a meu ver, se fez mais condizente com o propsito do meu estudo, numa possibilidade de romper com a tradio que limita a inventividade e a criao do pesquisador. E, eis que cheguei, ento, estratgia metodolgica da Cartografia de Saberes, proposta por Baptista (2014).

A cartografia apresenta-se como um dispositivo cientfico de investigao, buscando dar conta da complexidade do processo e tornar possvel a construo do conhecimento, com suas amplitudes e intensidades. Prope a interpretao e a reinterpretao dos significados, considerando novas formas de compreenso, capazes de dar conta de ambientes sociais de grande complexidade. E, neste estudo, aplica-se ao convvio, interao social e s relaes. Nesse sentido, a proposio se alinha ao pensamento de Morin (2004) ao trazer que o conhecimento sempre uma traduo, seguida de uma reconstruo. O autor expe que, mesmo no fenmeno da percepo em que os olhos recebem estmulos luminosos que so transformados, decodificados, transportados a um outro cdigo, e esse cdigo binrio transita pelo nervo tico, atravessa vrias partes do crebro e isto transformado em percepo, logo a percepo uma reconstruo. Morin (2012) pontua, tambm, que [...] podemos dizer at que o conhecimento progride no tanto por sofisticao, formalizao e abstrao, mas, principalmente, pela capacidade de contextualizar e englobar [...] (p. 14). Cartografar construir mapas a partir da capacidade de percepo do pesquisador, segundo Baptista (2014) com base em Rolnik (1989). Trata-se de uma espcie de mapeamento que, neste caso, acompanha e feito enquanto certos mundos desintegram-se, perdem seu significado, e outros se formam. Mundos que so criados para expressar afetos contemporneos, em relao ao qual universos existentes se tornam obsoletos. O cartgrafo tem a tarefa de dar voz aos sentimentos que pedem passagens (ROLNIK, 1989). Baptista (2014) explica que se cria uma composio, que [...] implica em mergulho no objeto/fenmeno escolhido para estudar e no conhecimento j produzido a respeito, por outros investigadores, bem como no reconhecimento e a efetivao, possveis com a vivncia da pesquisa [...] (p. 344).

Baptista (2014) ainda complementa que o cenrio da cincia transdisciplinar caosmtica exige outro tipo de pesquisa, em termos de operacionalizao. E prope que o trabalho da pesquisa deve ser iniciado em vrias frentes, em vrias trilhas investigativas. Por fim, expe que o processo de investigao [...] o de investimento desejante, na busca de conhecimento. Trata-se de uma viagem investigativa em que o pesquisador se reinventa, se renova, se re-faz [...] (BAPTISTA, 2014, p. 350). A recomendao do uso da Cartografia de Saberes para construir a trilha se sobressai para a pesquisa qualitativa, mesmo que se utilizem mtodos e tcnicas quantitativas. Est presente, na proposio, a associao entre a investigao e a metfora de viagem intelectual, o que justifica a palavra trilha, na expresso trama de trilhas[...] (BAPTISTA, 2014, p. 344). Assim, comea a se delinear, desde essa palavra, a ideia de esboar um desenho de uma estratgia metodolgica, com possibilidades de acionamento de dados pelo investigador, ao longo da pesquisa.

Assim, utilizando-se da estratgia metodolgica Cartografia de Saberes, proposta por Baptista (2014), ao buscar a realizao de aproximaes investigativas (levantamento bibliogrfico, desenvolvimento de dana circular), estas aconteceram em diversos ambientes e em vrias cidades, do Rio Grande do Sul ao Paran (Vincola Peterlongo, Garibaldi/RS; Centro de Convivncia do Idoso So Jos, Farroupilha/RS; Centro Municipal de Cultura Henrique Ordovs Filho, Caxias do Sul/RS; Brique da redeno, Porto Alegre/RS; Feira de Arte e Artesanato do Largo da Ordem, Curitiba/PR). Tiveram como msica de fundo Zorba - Sirtaki Originale, seguida de explicativos sobre a dana circular e o propsito da atividade, bem como, a demonstrao dos passos de Dana Circular Grega.

J as aes investigativas (observao direta, observao participante, rodas de conversa, relatos de vivncias e experimentao com a dana), se deram no objeto de estudo de campo, definido em concordncia com minha orientadora, pelo Sesc-RS, que apresenta, desde 1946, uma slida trajetria em Turismo Social, elencando educao, cultura, recreao, lazer, assistncia e sade. Ali foram executadas cinco aes, distribudas em cinco cidades do Rio Grande do Sul, no perodo compreendido entre julho e agosto de 2017, tendo como maior pblico, os grupos da Maturidade Ativa[7]. Dentre as cidades esto: Nova Roma do Sul, Caxias do Sul, Bento Gonalves, Vacaria e Farroupilha. E a msica escolhida para conduzir os passos das danas (Dana Circular Sagrada, Dana Circular Celta, Dana Circular Grega), foi Me and My Cello (Happy Together) - The Piano Guys. Relato tambm que, foi pedido permisso para gravar as falas, utilizadas neste estudo, e, depois, filtrar as respostas para transcrever os relatos das vivncias que contaram com a expressividade e o dilogo espontneo dos participantes. Houve tambm, um Termo de Adeso Voluntariado atestado pelo Sesc-RS, em que foi permitido executar as danas circulares nas dependncias da empresa.

Por conseguinte, Baptista (2014) apresenta as trilhas para a proposio da Cartografia de Saberes, na prtica da pesquisa.

A primeira trilha proposta a que se refere aos saberes pessoais. Nela, importante o investigador refletir o que sabe sobre determinado assunto. Com isso, ir se autorizar a escrever textos sobre as temticas envolvidas nesse objeto de estudo. Assim, relaxando e expondo a escrita sobre o que pensa, ir liberar os pensamentos, fazendo uma sondagem de si, dando direcionamento do seu assunto. Emerge, aqui, portanto, o dirio de campo, como fundamental lio de resgate dos saberes pessoais.

A segunda trilha a ser cartografada so os saberes tericos. Com as temticas escolhidas, o pesquisador dever percorrer as trilhas desses conhecimentos. Neste momento, a autora prope que se [...] monte um quadro com os assuntos e as referncias tericas encontradas sobre cada um deles. Esse quadro importante, porque ajuda a visualizar a cartografia terica e suas linhas investigativas [...] (BAPTISTA, 2014, p. 351). Defende, tambm, que cada subtemtica expressa em palavras-chave tenha referncias bibliogrficas, mostrando a direo do trabalho terico.

A terceira trilha, chamada pela autora de laboratrio de pesquisa ou usina de produo, prope o envolvimento do investigador para criar situaes que deem vida pesquisa. E fundamenta que se faz necessrio ir a campo, j nas aproximaes, para sentir e saber das reais escolhas, decises, que afloram do prprio campo de pesquisa, tendo, por este fim, a segurana do caminho com o foco alinhado aos objetivos. A autora tambm chama a ateno no que diz respeito s diversas estruturas da pesquisa, de nveis mais profundos, em que emergem, muitas vezes, pensamentos picados. Expe que o conhecimento e a pesquisa no se produzem [...] apenas na conscincia, nas instncias do pensamento racional. Quando algum investiga, esse sujeito investe-se em direo ao objeto paixo-pesquisa e isso significa que o sujeito todo pesquisa e vibra com a investig[ao] (BAPTISTA, 2014, p. 352). E, por fim, ainda atenta aos processos [...] caosmticos tambm internos, o pesquisador deve estar sempre pronto a registrar essas brotaes autnomas, para, com elas, em grande parte das vezes, puxar fios que ajudam a desenvolver as trilhas de saberes [...] (Ibid., p. 352), numa formulao necessria para a proposio do estudo.

Tem-se, com isso, que o papel do pesquisador central, sendo que a partir das percepes, das sensaes e das afetividades vivenciadas que se constroem conhecimentos. Neste sentido, o mtodo cartogrfico [...] desencadeia um processo de desterritorializao no campo da cincia, para inaugurar uma nova forma de produzir o conhecimento, um modo que envolve a criao, a arte, a implicao do autor, artista, pesquisador, cartgrafo [...] (MAIRESSE, 2003, p. 259 apud ROMAGNOLI, 2009, p. 170). Isso possibilita a criao na constante relao do pesquisador com o seu objeto, construindo um outro olhar para o conhecimento com a experimentao, os relatos e o dilogo. Assim sendo, o cartgrafo, na possibilidade de abarcar a complexidade, coloca os problemas e investiga o global, concebendo no campo de pesquisa um outro olhar. Ele absorve matrias de expresso de qualquer procedncia, para compor suas cartografias, j que: "Todas as entradas so boas, desde que as sadas sejam mltiplas [...]" (ROLNIK, 1989, p.66).

Neste contexto, as aes investigativas geraram relatos e, por meio destes, foram criados quadros snteses, buscando observar as propriedades do campo, dialogando com as falas dos participantes, elencando a hospitalidade, o acolhimento e a amorosidade. Tambm foi possvel observar palavras-chave identificadas nas manifestaes orais, tendo como base a fundamentao terica deste estudo. Foram palavras-chave identificadas na Hospitalidade: Receber e ser recebido; Abertura para a relao com o outro; Trocas; Bem-estar no ambiente; Sentir-se bem; Relaes de convivncia; Aceitao do outro; Pertencimento. Foram palavras-chave identificadas no Acolhimento: Reconhecimento do outro na convivncia; Envolvimento; Entrelaamento; Permitir o contato e a intimidade; Cuidar do outro; Empatia; Atitude de disponibilidade interna para o encontro; Se reconhecer, interagir e se hospedar mutuamente; Laos de proximidade. Foram palavras-chave identificadas na Amorosidade: Amor em sentido pleno; Afetividade; Emoes; Sentimentos; Aceitao mtua em relao ao outro na convivncia.

Assim, possvel dizer que, houve uma entrega completa do sujeito, com seu corpo e sua expressividade, na composio da roda, na arte do encontro proporcionada pela dana circular. Permitindo, assim, que o amor, como uma emoo fundamental, possibilite a representao do reconhecimento e da aceitao. Transformando o outro e redescobrindo a dinmica das relaes. Fazendo refletir, aprender e se modificar.

 

3 A ARTE DO ENCONTRO NA DANA CIRCULAR

A dana circular, reforando a afirmao j dita, se apresenta como algo que pulsa, traz movimento, prope expressividade e faz refletir (a relao consigo mesmo e a relao com o outro), no somente em sua execuo corprea, mas em sua vivncia que estabelece contato com tato. Posto isso, proponho trazer um breve resgate da composio da roda, um histrico com a origem e as manifestaes dos formatos de danas circulares.

 

3.1 Composio da roda

A primeira formao social e em grupo seria a roda (COSTA, 1998). Assim, como j trazido, possvel dizer que o crculo, em sua arquitetura, simboliza harmoniza, a plenitude que o ser humano busca atingir. A centralidade circular pe todos frente a frente, em sintonia (COSTA, 1998). Em descontrao nele so somados ritmos, cantos, movimentos corporais e, at diferenas culturais, sem anular as individualidades.

As danas circulares, so polissmicas, despertando linguagens e diferentes saberes que estendem o repertrio artstico-cultural. Desta forma, a aproximao estabelecida na roda possibilita o autoconhecimento ao fazer com que cada um se perceba e perceba o outro.

Nesse sentido, Camargo (2015) acrescenta que danar juntos em roda compartilhar bens comuns e celebrar a vida em todos os seus sentidos e dimenses. A autora tambm afirma que, para ser aproveitada ao mximo a experincia de danar em roda, preciso que os sujeitos se permitam danar uns com os outros de mos dadas (ou no), na roda, vivenciando a influncia simblica do crculo. E complementa, dizendo que, em meio a pessoas semelhantes e dissemelhantes, diferentes em pensamentos e aes, mas unidas na busca de aprender umas com as outras, os sujeitos trocam experincias no cotidiano da roda. Isso permite interagir e cooperar com o grupo, [...] respeitando as diferenas de ritmos corporais, as caractersticas e estilos individuais e aprendendo a ocupar os espaos sem desrespeitar as fronteiras necessrias que nos garantem o direito de serem, todos, humanos[...] (CAMARGO, 2015, p. 66). Ainda segundo a autora, a roda das danas circulares torna-se representativa de uma mandala humana.

 

3.2 Um pouco de histria da dana circular

A dana circular ou dana de roda uma riqueza cultural, das mais antigas do Ocidente. Sua origem estaria na Antiguidade, em pequenos povoados ou aldeias, mas poderia ser ainda mais antiga se vista como atrativa ao humano. Expressa-se, desse modo, como sinnimo de vida espontnea e integrante do dia a dia (WOSIEN, 2000). A prtica das danas circulares, era comum a muitas civilizaes antigas, para celebrar a chegada da chuva, das estaes do ano, do movimento do Sol, o agradecimento aos deuses, entre outros (COSTA, 1998). At os primeiros sculos da era crist estava inserida nas prticas religiosas e na vida em comunidade. Tambm era possvel perceber, que [...] em tempos remotos, por meio da dana, o homem identificava-se com os ritmos da natureza. Reconhecia e imitava os movimentos e as foras nela presentes [...] (OSTETTO, 2006, p. 69).

As danas circulares expressavam uma sabedoria que, resistiu s mudanas de linguagem, localizao, religio e nacionalidade por milhares de anos, e que ainda so consideradas como primeiras manifestaes da criatividade coletiva (COUTO, 2008).

A partir da Idade Mdia, desvincula-se da Igreja e exibe outros contornos, apresentando gneros, como o ballet. Passa a adquirir um carter festivo, sendo representada em festejos populares e praas pblicas (FARO, 2011). Atravessa a Renascena com os descobrimentos nas belas artes e, alm das danas de roda, passa a exibir ritmos como polcas e mazurcas. Na Modernidade, mesmo se modificando, a roda continua representando, na experincia do danar com o movimento, a interao entre os corpos na dana circular. Por conseguinte, a dana circular ou dana de roda, com o passar dos tempos, parece ter sido a matriz de muitas outras danas, ao apresentar relao com o contexto ritualizado em conexo com a integrao humana. Rememoram povos, tradies e culturas, ritos e smbolos (WOSIEN, 2000). E no compartilhar dos gestos de mos dadas atrelados msica, dando forma a roda, floresce a expressividade corporal.

 

3.3 Formatos da dana circular

As danas circulares recebem denominaes. Adquirem o nome de Danas Circulares Sagradas a partir do interesse do pesquisador de danas folclricas e tnicas, coregrafo e bailarino alemo Bernhard Wosien, por uma prtica corporal diferenciada para expressar os sentimentos (RAMOS, 1998). Wosien ensinou, pela primeira vez, um grande repertrio de danas folclricas, no norte da Esccia, na dcada de 1970, quando fez uma visita a Comunidade de Findhorn. A Dana Circular se torna Sagrada, pelo fato de permitir que os participantes entrem em contato com sua essncia, com seu eu. No momento deste contato, tem-se a unio do corpo (matria) com o esprito (energia). Acredita-se que, ao dar as mos em crculo, cria-se um fluxo de energia que vai sustentar o campo que se forma com a presena das pessoas e com todos os elementos da natureza presentes no ambiente (WOSIEN, 2000). As danas possuem passos que vo dos mais simples aos mais elaborados, e podem se utilizar de msicas tnicas, clssicas e new age. Desta forma, pode-se dizer que, de 1976 em diante, este movimento se espalhou pelo mundo.

A classificao Dana Circular Celta, reporta ao sculo XII, na Irlanda, em que comearam a ser apresentadas em castelos, para a realeza no sculo XVI (POWELL, 1965). Na tradio celta, danava-se em rituais em honra ao Sol e ao carvalho buscando conectar-se com a sabedoria universal. Segundo Powell (1965), os celtas eram conhecidos por apreciarem a msica, a poesia e a dana, com alegria e soltura em seus movimentos, recorrentes nos perodos de celebraes religiosas, em casamentos ou nas celebraes de vitrias militares.

Outro formato de dana circular apresentada a Dana Circular Grega, trazendo, da Grcia Antiga, o costume de danar, com as mos dadas. As pessoas, ao fazerem oferendas e homenagearem aos deuses, danavam em volta de rvores ou fogueiras. As Danas Circulares Gregas, muito semelhantes s Danas Circulares Sagradas, pressupe caminho para o encontrar a si mesmo, permeando o encontrar-se com a comunidade (WOSIEN, 2000). Nessa dana, pelas amarraes circulares exprimem-se movimentao, sensaes, sentimentos e emoes, podendo constituir vnculos e relaes. A dana uma das formas de expresso que melhor representam o esprito grego e tambm a histria da Grcia, seus martrios, suas conquistas e festas, seu dia a dia, suas imensas alegrias e profundas tristezas. Os gregos antigos consideravam a dana essencial para a educao, para o culto e para o teatro. E tambm acreditavam que era um presente dos Deuses para o sujeito esquecer, atravs dela, suas dores e tristezas da vida.

As danas circulares ganham ainda, denominaes como dana dos povos (muitas com origem no folclore de cada pas, outras tradicionais de comemoraes, colheitas, retratadas em manifestaes populares e inicialmente em mbito familiar); danas meditativas (atravs do movimento repetido, pode-se entrar em estado de meditao, os ritmos musicais mais usados so de msicas clssicas, tradicionais e new age); danas de natureza e de plantas curativas (coreografias que reverenciam a natureza e outras que vibram a energia das plantas curativas); danas contemporneas (coreografadas por danarinos da atualidade, algumas para msicas tradicionais, outras para msicas contemporneas, com base nos passos e nos movimentos de cada tradio, tais como as danas alems, italianas, portuguesas tradicionais coreografadas para shows e festas tpicas) (RAMOS, 1998). Dessa forma, contam histrias e trazem significados variados de acordo com suas origens. Tambm possvel perceber que existem danas de variados povos, como as tradies culturais dos ciganos, a alegria e os passos saltitantes dos gregos, os rituais religiosos dos povos indianos, as manifestaes indgenas, africanas, israelitas, brasileiras e celtas (OSTETTO, 2006).

 

4 CRCULO DE REFLEXES SOBRE AS RELAES NA DANA

A prtica da dana circular permite notar que cada ato de danar uma nova descoberta e provoca reaes diferentes nas pessoas. Assim, ao analisar, neste estudo, alguns grupos por determinado tempo, foi possvel verificar que essas prticas trouxeram ao pblico participante que, a comunicao pelo corpo por meio da dana, capaz de influenciar as relaes, o corpo gerador de comunicao a todo instante e sua expressividade corporal delimita os anseios e as atitudes frente ao desconhecido. Tambm perceptvel que esse corpo, atravs da linguagem verbal e corporal, exprime emoes e sentimentos, possuindo uma funo de conhecimento (de si e do outro) e de expresso. Neste contexto, o conjunto das reflexes que se trouxe, entre atitudes, conceitos e novas maneiras de pensar as relaes, permitiu refletir sobre a questo deste estudo: a dana circular como expresso de vnculos de acolhimento e amorosidade, em condies de oferecer sinalizadores para a hospitalidade. Na reflexo filosfica acerca das relaes, reside a parcela de contribuio desta pesquisa para o campo da hospitalidade.

A reflexo sobre a hospitalidade, de importncia no que tange ao relacionar-se com o outro, indo alm da interao, perfazendo o caminho da construo do convvio, para, com o acolhimento e a amorosidade, efetivar as relaes. Perazzolo, Santos e Pereira (2013) contribuem trazendo que a hospitalidade um fenmeno que se instala no espao constitudo entre o sujeito (na sua forma singular e coletiva) que deseja acolher e o sujeito que deseja ser acolhido. E mais, pontuam que, no espao em que o acolhedor se transforma em acolhido e o acolhido em acolhedor, h um movimento alternado e necessrio para que a hospitalidade ocorra. Na mesma linha de consideraes, Camargo (2015) defende, que a hospitalidade, passa pela intimidade do calor humano e pode ser compreendida como uma relao em que se estabelece uma troca (entre receber e ser recebido), pensamento este, tambm corroborado em Baptista (2005).

A hospitalidade, na conexo com a dana e as relaes, possibilita responder os tpicos enunciados nos questionamentos da pesquisa. So perguntas a serem respondidas: Como se estabelecem as relaes na dana? O que elas provocam nos sujeitos que danam? Como relacionar os conceitos de acolhimento e amorosidade dana circular? O que pode ser considerado nessas relaes, para oferecer sinalizadores para a hospitalidade?

A dana, assim como todas as artes, constituiu-se na necessidade de expresso humana. Em stios arqueolgicos possvel ver pinturas rupestres representando rodas de dana, constatando que as rodas em crculo so uma das formas mais antigas de celebrao comunitria (COSTA, 1998). As danas circulares trazem a disponibilidade de cada pessoa em estar na roda, danando, se ajudando mutuamente e incentivando cada participante a se expressar no que tm de melhor, sem enfatizar a tcnica em si, mas a troca relacional que o crculo oferece (RAMOS, 1998). Corroborando com essas afirmaes, trago o relato de uma participante na segunda ao investigativa, quando disse que: Ningum aqui queria fazer melhor. Queria fazer junto.

A dana traz o convvio, possibilita perceber o outro, aprender com ele e reaprender a si mesmo. Conforme Jayme; Fausto, 2011 apud Reis; Tibeau; Mutarelli; Neto, 2017, p. 4), ela convida a entrar em contato com o outro e suas diferenas, assim como, faz refletir sobre a capacidade de conviver junto de pessoas desconhecidas. Assim, as relaes na dana e o que elas provocam nos sujeitos que danam, se estabelecem de maneira espontnea, gratuita, em que os participantes, imbudos de prazer pelo envolvimento da dana, se soltam, deixando a energia fluir e pulsar em seus corpos. Nas palavras de Camargo (2015), o que acontece na roda, alm de no haver hierarquia, que os participantes perfazem uma troca de conhecimentos, de cumplicidade, de generosidade, de gentileza, de harmonia, de humanidade e de outras qualidades humanas que cada um tem a oferecer. Do mesmo modo, exemplifica a autora, que no h um nmero exato de pessoas a participar na roda, o fundamental o desejo de estar inteiramente presente e disposto a compartilhar a experincia de danar junto. E coloca que, ao criar essa atmosfera de harmonia e unidade, todos tm a possibilidade de se conectar consigo mesmos e com os demais praticantes que compem a roda. Elucido aqui tambm, as palavras de uma participante da primeira ao, que ratificam a afirmativa de Camargo: as pessoas que estavam do meu lado, me ajudaram e isso fez toda a diferena.

Perazzolo et. al. (2013) tonificam e corroboram dizendo que, para que uma relao se estabelea, necessrio que, pelo menos, dois sujeitos (ou grupos) estabeleam uma interlocuo da qual se origine um espao entre um e outro. S assim, o estar entre, ir proporcionar a troca relacional, deixando ao sujeito que dana, a sensao de bem-estar e liberdade de expresso. Pode-se perceber, que essa assertiva est ligada ao sinalizador da hospitalidade quando, uma participante, da terceira ao investigativa, atesta em sua fala: Essa sensao de estar no meio de pessoas que voc no conhece e mesmo assim se sentir bem algo fora do comum.

Similarmente a estas afirmaes, Morin (2005) expe que na construo intelectual, o ser humano constitui-se sempre a partir do outro, constri e se reinventa nunca sozinho, mas, em grupo, em sociedade. Sendo preciso conhecer-se e reconhecer-se, a fim de conseguir entender o outro.

Desta forma, a dana circular permeia essa construo e reconstruo do intelectual do ser humano, pois, as inter-relaes que so vivenciadas na roda, fazem pensar, repensar e, quem sabe, modificar aes de si e frente ao outro. Assim, as relaes provocaro no sujeito que dana, a experincia corporal que ir traduzir em movimentos a expressividade, tambm, informaes e conhecimento que sero aprendidos e apreendidos, fazendo refletir e perceber mudanas internas sendo exteriorizadas. Com isso, Jayme e Fausto (2011) apud Reis et. al (2017), expem que, pde-se observar que o desenvolvimento da dana circular efetuada com o propsito de modificar relaes do sujeito que dana, trouxe como benefcios o equilbrio dos corpos fsico, emocional, mental e espiritual. Favoreceu a ampliao da percepo, do autoconhecimento, do respeito, da incluso e do apoio mtuo entre os participantes. Propiciou uma melhor conscincia corporal, concentrao, ateno, ritmo e referncia espacial. Oportunizou o fortalecimento da autoestima. E ainda, possibilitou a alegria e a paz interior de cada pessoa.

Conjuntamente, no tem como pensar em relaes, sem atribuir esse pensamento ao acolhimento e amorosidade, possibilitando constituir vnculos que sero expressados no convvio de quem dana. O acolhimento, traz consigo o reconhecimento do outro na convivncia, mudando a forma de se relacionar. Acolher ento, se envolver, trocar e entrelaar. Complementam ainda essa reflexo, Camargo (2004), Boff (2005) e Avena (2006) citados por Santos e Baptista (2014), ao expor que entendem que a definio de acolhimento, com nfase na relao, se constitui para alm do fato social, considera dimenses do cuidado e pressupe o reconhecimento do acolhido, este concebido como origem para a definio das aes de hospitalidade. Essas constataes vm ao encontro da dana circular, que pressupe a relao eu e o outro, por meio do crculo e do auxlio mtuo entre os sujeitos. Na roda, segundo Camargo (2015), todos so bem-vindos, no importando a idade, a esttica corporal, a classe social, a situao econmica, a posio poltica e a atividade profissional de cada pessoa. Cito, duas falas trazidas por dois participantes, da terceira e da quarta ao investigativa, que resumem as afirmaes acima: danar em crculo na roda poder olhar e ver todo mundo, olho no olho, sabe, e sentir que voc no est sozinho. Danar de mos dadas faz com que a gente perceba que o outro existe e preste ateno nele.

Em igual intensidade, a amorosidade, uma caracterstica que garante amor e acolhimento para tornar as relaes mais agradveis introduzida naturalmente no sujeito que dana. Pois, a amorosidade liberta e uma atitude que comea na mente e acaba se instalando no corao, como um jeito novo de ser, e s acontece em quem capaz de amar. Ao discorrer sobre as emoes, Maturana (1998) traz afirmaes de que o resultado disto que, o viver humano se d num contnuo entrelaamento de emoes e linguagem como um fluir de coordenaes consensuais de aes e emoes. O amor, trazido por Maturana (1988), a emoo que constitui as aes de aceitar o [...] outro como um legtimo outro na convivncia [...] (MATURANA, 1998, p. 25).

Portanto, amar abrir um espao de interaes recorrentes com o outro, no qual sua presena legtima, sem exigncias. Com isso, a ao da amorosidade, tambm permite, que se aproximem as pessoas do conjunto de virtudes, pois, nela esto includos o cuidado, o respeito, a confiana e estabeleam laos sociais no convvio. E o que se pde perceber no desenvolvimento da dana circular com os integrantes, imbudos na roda, de mos dadas, envoltos por um sentimento pleno e puro. No momento desse contato temos a unio de esprito e matria e a possibilidade da criao. O ser humano se torna um ser ntegro quando se torna criativo. A partir da ele tem a trindade dentro de si [...] (RAMOS, 1998, p.3). Complementa esse pensamento, a declarao de uma participante da quinta ao investigativa, que diz: A dana me faz bem, sempre que posso participo de um grupo de danas circulares, isso me fortalece. D uma sensao que no sei explicar. Um bem-estar que fica o dia inteiro. Foi o que senti aqui.

Ao referir-se em laos sociais, e nela buscar suas tonalizaes de positividade, pertinente trazer novamente o que diz Santos (2014, p. 13) que, [...] remete ideia de amarras cuja tessitura se faz em relaes genunas de acolhimento [...]. , tambm, compreensvel dizer que fortalecem vnculos, e qualificam as vivncias dos sujeitos na cotidianidade. Assim, nas palavras de Santos, ao se reconhecer, interagir e se hospedar mutuamente, os sujeitos se transformam alternadamente no outro, e, consequentemente, direcionam o olhar para o olhar do outro.

Com tal caracterstica, pode-se dizer que h um entrecruzamento entre o acolhimento e a amorosidade na dana circular, pois, o acolhimento abrir o espao prprio sem reservas ou desconfianas (BAPTISTA, 2008) e a dana circular produz e se alimenta da amorosidade. Dessa forma, o sujeito ao participar da dana, exclui pr-conceitos e vivencia o pertencimento ao grupo, recebendo e dando de si a energia da composio do crculo com as mos dadas, exprimindo suas emoes. As vivncias podem trazer ao sujeito uma significativa estruturao nas relaes, baseando sua conjectura no sentir, relacionar-se e tocar. A dana traz consigo o tato, o contato com o toque das mos. E, reforando o que j foi dito, o toque permite uma mistura que envolve uma movimentao de energias, de intensidades e de afetos (ROLNIK, 1989).

Cabe reforar a importncia do toque trazido por Rolnik, em que o acolhimento e a amorosidade se entrecruzam na dana circular, assim, faz-se importante citar uma manifestao oral. Trata-se da fala de uma participante da primeira ao investigativa: Eu quando era pequena minha me contava histrias pra dormir, a gente fazia boneca com sabugo de milho, porque ns no tinha dinheiro e tinha que trabalhar na roa, e s vezes, de tardinha, a gente danava de mos dadas. Minha me era muito alegre. Eu fui casada duas vezes. Meu primeiro marido era seco, meio grosso, no gostava dessas coisas. Mesmo assim, eu brincava de roda com meus filhos.

Ao trazer essas reflexes, o que pode ser considerado nas relaes para oferecer sinalizadores para a hospitalidade, so que, a configurao da hospitalidade, alm das questes estruturais do fenmeno de estudo, est centrada no ato do bem receber e ser bem recebido. O acolhimento o reconhecimento do outro na convivncia. Ao acolher h o envolvimento, a troca e o entrelaamento. A amorosidade, deixar despertar em seu interior a plenitude do amor. Um amor sem rtulos, que no tenha pr-conceitos e no apresente distines.

E, por fim, a dana circular, na sua composio da roda, de mos dadas e pelas amarraes circulares, consegue-se exprimir movimentao, sensaes, sentimentos e emoes, podendo constituir percepes, vnculos e relaes. O toque a autorizao para a entrada do outro no prprio espao. fator determinante para consolidar o olhar do outro, despindo-se de qualquer julgamento. Neste mbito, a percepo ttil se abre para o descortinar-se perante o outro. Pois, ao tocar e ser tocado na dana circular, h a insero da permisso de envolvimento, fluidez necessria para a constituio das emoes, do acolhimento e da amorosidade, que por sua vez, ter resultados diferenciados na comunicao, no expressar-se.

Com tais amarraes tecidas, ao analisar a dana circular nas prticas das aes investigativas e, em outros momentos de experimentao do danar em roda, feitos pela minha trajetria de vida, possvel perceber que, a dana circular exerce uma funo importante na conjuntura das relaes. Oferece o desprendimento e a libertao dos sujeitos para se reconhecer e entender o outro. Concebe em sua ao, uma prtica de bem-estar e desenvolvimento pessoal. Tambm, nas vivncias propiciadas pelos sujeitos que danam e suas expressividades corporais evidenciadas ao finalizar a dana, pode-se dizer que, a dana circular faz bem ao corpo, s emoes, mente e ao esprito. Esses, so, reforando, em suma, alguns dos itens que compem as vantagens trazidas pela execuo da dana circular.

Pode-se pensar a partir disso que, para que as relaes tenham maior intensidade causando a proximidade e estendendo os laos sociais, preciso que haja a reciprocidade e aceitao mtua por parte de cada pessoa. Neste contexto, torna-se importante ainda, que deve haver um fundamental alinhamento entre o estar disposto a aceitar o [...] outro como legtimo outro na convivncia [...] (MATURANA, 1998, p. 25) e introduzir o conviver com tato nas relaes. Pois s assim, as mudanas acontecero, ocorrendo uma modificao na expressividade das emoes, gerando novo comportamento, a conservao da nova rede de conversaes para assegurar e constituir a nova cultura (MATURANA; VARELA, 2011). E buscar internamente a conscincia percepo/corporal que trar a transformao espontnea na histria do conviver, utilizando-se do toque no danar em roda para fortalecer os sentimentos exteriorizados pelos sujeitos.

tudo uma questo de olhar. Entender e interpretar. Assim, para finalizar, Berger (1999, p.10) diz que o [...] olhar um ato de escolha. Como resultado dessa escolha, aquilo que vemos trazido para o mbito do nosso alcance ainda que no necessariamente ao alcance da mo. Tocar alguma coisa situar-se em relao a ela [...].

 

5 CONSIDERAES TEMPORRIAS

Este estudo conduziu, por meio da estratgia metodolgica Cartografia de Saberes, um modo de conhecer, de fazer pesquisa, produzindo instrumentos de proximidade entre a teoria e o campo. Na parte do campo, executando a dana circular, em diversos ambientes, possibilitou a contiguidade com as pessoas, suas histrias de vida absorvidas nos relatos , o contato com tato, perfazendo, atravs do toque, a troca relacional. Por isso, foi ntido observar as expresses de corpos que traduziam soltura, bem-estar, acolhimento e amorosidade, no danar em roda. Foi criada uma comunicao baseada na busca do consenso (aceitao e troca), tendo sido possvel perceber o estabelecimento de laos de proximidade nas relaes. H que ser salientado que essas constataes foram em cima das aes prticas desenvolvidas no sendo uma verdade absoluta para todas as execues de dana circular, o que permite diversas reaes dos participantes e pode falsear ou confirmar as averiguaes.

A apresentao das danas circulares como um todo, recupera e integra antigas formas de expresses de diferentes povos. Acrescida de novas criaes, coreografias e ritmos, que, atravs da conscincia de um centro comum, auxilia no desenvolvimento de capacidades como conscincia corporal, ritmo, lateralidade, capacidade cardiovascular, cooperao, sociabilizao, dentre outros. Tambm favorece a integrao, busca de autoconhecimento individual e grupal como a modificao gradativa das relaes. Permite a arte do encontro, no crculo, unidos pelo toque das mos, em que se produz a cooperao e ajuda mtua, simplesmente por fazer a roda se movimentar harmonicamente. justificvel afirmar, neste contexto, a importncia da dana e os seus reflexos na vida cotidiana. Em qualquer situao, possvel de perceber uma sensao rtmica, atravs da sucesso das movimentaes danantes, que transmitem sentimentos de libertao emocional.

Em sntese, retomando os objetivos, o presente trabalho trouxe como respostas que basta transformar a maneira particular de observar, em percepes que comunicam, que expressam sentido, que do veracidade aos fatos, tornando-os reais aos acontecimentos e no interior de cada pessoa. Ento, possvel afirmar que os objetivos do trabalho foram atingidos, quando se apresentou a dana circular num contexto relacional entre os sujeitos e pde-se perceber que os participantes da roda se sentiram vontade, se despiram de preconceitos, vivenciando e experimentando o novo, o desconhecido. Igualmente, quando se relacionou os conceitos de acolhimento e amorosidade dana circular, propondo entender que o acolhimento traz consigo o reconhecimento do outro na convivncia. Envolvendo-se. Trocando experincias. Entrelaando sentimentos e emoes por meio do toque, com base na afetividade expressada pela amorosidade na dana. E, no terceiro objetivo, quando se identificou sinalizadores de hospitalidade, nos vnculos marcados pelo acolhimento e amorosidade, em decorrncia da prtica com as aes investigativas da dana circular. Nesse sentido, emergiram alguns sinalizadores para a hospitalidade.

No desenvolvimento da pesquisa, pde-se perceber a dana circular como expresso de vnculos de acolhimento e amorosidade. Assim, tem-se, por meio dela, uma forma de integrar o corpo e sua expressividade. Trata-se, portanto, de uma situao de comunicao e expresso. Embasando a comunicao do sujeito com o outro, capaz de acionar o pensamento e explorar a criatividade, para improvisar e, ao mesmo tempo, estabelecer a conexo de troca com este outro, o desconhecido.

vista disso, vivenciar a dana circular, por meio da prtica cooperativa, desfrutar de uma nova-velha forma de lidar com as relaes humanas em equipes de trabalho e em nossas prprias vidas, certamente como faziam nossos ancestrais.

A dana circular uma forma de envolvimento de amorosidade e acolhimento. Desse modo, ao estar de mos dadas em uma roda, cada pessoa vivencia a sensao de pertencimento. Cada um parte de algo maior que eles mesmos e que existe apenas porque cada um est onde est.

Nessa perspectiva, a dana circular parece permear a expressividade (emoes e sentimentos), provocar soltura nos corpos, relaxar e criar relao-convvio. Assim, ao participar do crculo, o sujeito amplia o conhecimento em direo ao bem-estar fsico, mental, emocional, energtico e social e pode ser vista como processo educativo que costura as relaes interpessoais.

Ao exprimir o conjunto de reflexes sobre as relaes na dana exposta neste texto, pode-se dizer que admissvel perceber, na dana circular, uma funo importante na conjuntura das relaes, por proporcionar, a sua ao, numa prtica de bem-estar e desenvolvimento pessoal.

vista disso, imbudo por inquietaes ao iniciar o estudo, deixei-me conduzir, na construo terica, pela leitura de textos, artigos, livros, e, somadas s aes prticas, por meio das aproximaes e aes investigativas com vivncias e relatos, estruturei o suporte necessrio escrita deste texto. Foram movimentos, aes, gestos, expresses, sorrisos, olhares, abraos, que se misturaram s emoes e ajudaram a elaborar a palavra escrita. Assim, com a intensa etapa de tempo vivido, pronunciadas pelas experincias e sensaes, pude constatar que realizar a pesquisa desencadeou ampliar conhecimentos, criar vnculos, aprender e apreender histrias de vida, reformular pensamentos e modificar direes na caminhada do cotidiano. Do mesmo modo, pude acolher e ser acolhido.

Dessa forma, reconheo que o que apresento uma espcie de dana circular de saberes, apreendida entre os colegas e professores do programa nas aulas, com vivncias, observaes, participaes , e, tambm, por meio de pessoas que participaram das atividades em outras situaes. Argumento que, o corpo dana. Faz contato. Toca. E tem no toque a autorizao para a entrada do outro no prprio espao. Vivencia. Experimenta. Aprende. Ensina. Apreende. Modifica modos de viver e interagir. Ao danar, se redescobre. Fica vontade. Se envolve. Se entrelaa. Acolhe. Ama.

 

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Artigo recebido em: 07/04/2018

Avaliado em: 23/06/2018

Aprovado em: 28/06/2018

 

 

 



[1] Graduao em Comunicao, habilitao Relaes Pblicas. Especializao em Gesto de Pessoas. Mestrado em Turismo e Hospitalidade. Instituio/Afiliao: Universidade de Caxias do Sul, UCS. E-mail: newtonavila@hotmail.com

[2] Doutora em Cincias da Comunicao, pela ECA/USP. Professora e pesquisadora do Programa de Ps-Graduao em Turismo e Hospitalidade da UCS (BRASIL). Ps-doutoranda e Professora colaboradora do Programa de Ps-Graduao em Sociedade e Cultura da Amaznia (PPGSCA-UFAM). Instituio/Afiliao: Universidade de Caxias do Sul, UCS. E-mail: mlcbaptista@ucs.br

[3] O termo expresso utilizado no objeto de estudo vincula-se a diversos tipos de linguagem. Vale ressaltar que linguagem, no mundo contemporneo, perpassa atividades individuais e coletivas. Verbais ou no verbais, as linguagens se cruzam, se completam e se modificam incessantemente, acompanhando o movimento de transformao do ser humano e suas formas de organizao social (FOUCAULT, 2004). A dana, como forma expressiva, congrega elementos de linguagem.

[4] Outro neste estudo refere-se relao que pode ser construda ao buscar a percepo do olhar do outro, utilizando-se do pensamento de Levinas (1988). O autor diz que ao aceitar o outro nos tornamos responsveis por esse outro, sem esperar nada em troca, apenas um desejo gratuito que provoca um movimento ao outro, um desejo de conhecer absolutamente o outro, resgatando a si mesmo e recuperando a alteridade do outro. Assim, ao pensar em relaes humanas possvel perceber que aquele que chega na predisposio do encontro um outro em relao a mim (um estranho, um desconhecido). vista disso, os olhos dos outros sero os espelhos dos nossos atos. Ressalto tambm, que o uso das aspas posta na palavra outro tem o efeito de enfatizar a escrita sobre essa relao.

[5] O cuidado que aquele que acolhe d preparao e ao embelezamento do espao do acolhimento to significativo quanto a qualidade da relao que se estabelece no momento do acolhimento (AVENA, 2008, p. 421-422).

[6] Respeito do homem consigo mesmo, do homem com o prximo e deste com a Sociedade que o cerca e, fundamentalmente, do homem com o meio ambiente, ou seja, com tudo ao seu redor (BOCCHETTI, 2007 apud AVENA, 2008, p. 67).

[7] O Sesc Maturidade Ativa, criado em 2003, tem como objetivo promover a qualidade de vida e o envelhecimento ativo de pessoas com idades a partir de 60 anos. No programa, os participantes renem-se para conviver, divertir, confraternizar, aprender, desenvolver seus potenciais, alm de realizar trabalhos comunitrios e solidrios (SESC, 2017).



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REVISTA HOSPITALIDADE ISSN 1807-975X    e-ISSN 2179-9164

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